arrow_backVoltar
businessminingrare-earthscritical-mineralsjapan

Jogmec, do Japão, vai financiar exploração de terras raras da Aclara no Brasil

bookmark_borderSalvar

A mineradora canadense Aclara Resources, listada na bolsa de Toronto sob o código ARA, fechou um acordo de joint venture com a Jogmec (Japan Organization for Metals and Energy Security), organização do governo japonês, para explorar e desenvolver depósitos de terras raras pesadas hospedados em argilas iônicas no Brasil. A Folha de S.Paulo noticiou o acordo na segunda-feira (7), com base na agência Reuters; o comunicado oficial da companhia, distribuído em Toronto, é datado de terça-feira (8).

Como o acordo funciona

Pelo desenho anunciado, a Jogmec bancará sozinha até US$ 3 milhões (R$ 15,35 milhões, na conversão publicada pela Folha) em despesas de exploração durante um período de aquisição de participação, o earn-in, de três anos. Sob certas condições, a organização japonesa pode aportar mais US$ 1,5 milhão (R$ 7,6 milhões) e estender o prazo por um ano. Cumprido o financiamento, a Jogmec terá a opção de comprar 30% de um dos projetos de exploração da Aclara no país, e os sócios passarão a custear o empreendimento na proporção de suas participações. A Aclara comandará a operação no período inicial, por meio de um consórcio sem personalidade jurídica criado com uma subsidiária nova da companhia no Brasil.

A Jogmec também terá o direito de comprar o equivalente à sua participação na produção futura do projeto, acrescido de mais 10%. Somadas as duas parcelas, o direito de compra pode alcançar 40% do que vier a ser produzido, em condições comerciais de mercado. A organização ainda pode transferir sua participação e seus direitos para empresas ou consórcios japoneses. O Projeto Carina, em Goiás, fica fora do acordo e continua 100% controlado pela canadense.

O CEO da Aclara, Ramón Barúa, afirmou em comunicado que a parceria "está em posição privilegiada para identificar e desenvolver novas oportunidades de terras raras de alta qualidade no Brasil".

"O acordo também cria um caminho natural para futuras vendas ao Japão por meio dos direitos de preferência da Jogmec, alinhando o sucesso da exploração a um dos mercados de terras raras mais estratégicos do mundo.", disse Barúa.

A Jogmec é o braço do governo japonês voltado à segurança no fornecimento de recursos naturais e energia considerados estratégicos. Segundo a Aclara, a organização financia e acompanha tecnicamente projetos minerais em vários países há décadas, em modelo de compartilhamento de risco, e o Japão busca diversificar suas fontes de terras raras, minerais usados em manufatura avançada e em tecnologias de energia limpa.

O que muda na cadeia

O acordo separa os papéis entre quem produz e quem compra. A Aclara aporta a experiência em argilas iônicas na América do Sul e a operação; a Jogmec entra com o dinheiro da fase inicial, que pode chegar a US$ 4,5 milhões no total se a prorrogação for acionada. Para a mineração brasileira, a exploração avança sem gasto imediato da companhia e, se o projeto prosperar, nasce com um comprador garantido no Japão. Do outro lado da cadeia, a indústria japonesa ganha um canal preferencial de suprimento de terras raras pesadas a partir do Brasil.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar