O ministro Kássio Nunes Marques se declarou impedido de votar nesta terça-feira (15) na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele alegou que o julgamento pode afetar o processo eleitoral deste ano. Pouco depois, pediu autorização ao presidente da Corte, Edson Fachin, e deixou o plenário. O colega "tem uma eleição para cuidar", disse Fachin, segundo a BBC News Brasil.
"Eu entendo que eu tenho uma missão (...) que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026. (...) Então não me sinto confortável de participar desse julgamento. Eu me declaro impedido", afirmou o ministro, logo após Fachin apresentar seu relatório.
Antes do anúncio, Nunes Marques se defendeu em discurso no plenário. Diálogos extraídos do celular de Vorcaro, divulgados na véspera, citam o ministro e seu filho, o advogado Kevin Marques. Em uma das mensagens, o ex-diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, responde a Vorcaro com dados de Kevin e a menção a R$ 500 mil por mês; os pagamentos seriam feitos pela Consult Inteligência Tributária, segundo o G1.
"Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco", disse o ministro, que também afirmou nunca ter conversado com Vorcaro e declarou ter "absoluta isenção". Em nota, a defesa de Kevin Marques confirmou o recebimento de R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos tributários e negou qualquer relação com o STF.
Efeito na composição da Corte
O afastamento fragiliza o ministro André Mendonça na disputa interna, segundo análise da Folha de S.Paulo. Nunes Marques votava com Mendonça em todos os casos da investigação até aqui e referendou decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal. Mendonça fica com um aliado próximo na Corte, o ministro Luiz Fux. Moraes tem contado com os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, diz o jornal.
O ministro Dias Toffoli também não vota. Ele se declarou suspeito em março, quando se afastou dos julgamentos do caso Master após a revelação de que teria vendido a parte que detinha em um resort no Paraná a um fundo ligado ao Banco Master, e reafirmou a posição nesta terça. Permaneceu no plenário. "Se eu achar necessário fazer uso da palavra, o farei", afirmou.
A sessão, inédita segundo a Folha, decide se Moraes se tornará alvo de investigação por sua relação com Vorcaro. Fachin abriu os trabalhos recordando que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pede a nulidade do inquérito da PF. A votação segue com os ministros remanescentes, a cerca de três semanas do primeiro turno da eleição presidencial.