arrow_backVoltar
PoliticsLulaElectionsstfbanco-master

Lula ataca Mendonça em comício em Curitiba e fala em 'orgias do Vorcaro'

bookmark_borderSalvar
MRPor Marina Rocha•13 de setembro de 2026•Fontes: Poder360, O Globo, G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou diretamente o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em comício de campanha em Curitiba neste sábado (12). Segundo o jornal O Globo, Lula acusou o ministro de vazar detalhes de investigações que lhe interessavam. O presidente disse que levou a reclamação ao presidente da Corte, Edson Fachin.

Lula relatou o pedido que fez a Fachin. "Não era possível o cidadão que é o juiz relator ficar soltando matérias pinçadas, somente daquilo que interessava a ele", afirmou. O presidente disse ainda que pediu a liberação integral dos processos. "Vamos deixar tudo às claras, para ver quem é de verdade ladrão e corrupto neste país. A família Bolsonaro não escapa."

Em seguida, Lula voltou o ataque ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e preso nas investigações sobre o banco.

O Vorcaro já está preso. Mas agora vão começar a aparecer as orgias que ele fazia. As mulheres da Suíça, da Suécia para fazer sacanagem com muita gente da política. Quem faz putaria vai ser desmascarado.

A fala sobre "orgias" tem origem em reportagem da revista Piauí publicada na sexta-feira (11), citada por O Globo. Em conversa de outubro de 2023 com o ex-ministro Fábio Faria, Vorcaro foi informado de que os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco e o ministro Dias Toffoli, do STF, compareceriam a uma festa que ele daria em São Paulo. "Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir", escreveu Faria, segundo a revista. Em Curitiba, Lula definiu Vorcaro como "agiota". "Em 2019, eles pegaram uma agiota e transformaram num banqueiro. O tal do Banco Master, que tem esse Vorcaro, que corrompeu muita gente da República. Eles tiraram o banqueiro e nós prendemos esse banqueiro. Eles abriram o banco e nós fechamos esse banco", disse, segundo o Poder360.

Crise no STF

O comício acontece no meio do conflito entre os ministros. Na sexta-feira (11), Fachin assumiu a relatoria da discussão sobre a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro, tirou o caso de Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master e o INSS, e remeteu os processos à Presidência da Corte, onde ficam paralisados até nova decisão, segundo o G1. O relatório da Polícia Federal pedido por Mendonça apontou a suposta relação. Outros ministros o criticaram por pedir apuração sobre um colega sem autorização do plenário, e a Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do documento. No mesmo dia, Mendonça retirou o sigilo de novos processos ligados ao Master, entre eles o inquérito sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que mira Flávio Bolsonaro, segundo o Poder360.

Fachin também deu 24 horas para a PF explicar as condições do celular de Vorcaro. Os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes cobram acesso à íntegra do aparelho antes do julgamento de terça-feira (15). "Não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento", afirmou Moraes, segundo o G1.

Lula disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e disse ao público que restam 22 dias para a eleição, com primeiro turno marcado para 4 de outubro. Ele também falou do filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela PF pela relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". "Quando começaram a falar do meu filho, eu disse que meu filho não será protegido. E eu acredito na inocência dele, mas se ele cometeu um erro, ele terá que pagar pelo erro", disse. "Isso vale para mim, isso vale para o meu filho, isso vale para qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico."

Lula defendeu que os ministros tenham comportamento exemplar. "As pessoas têm que ter um padrão de comportamento, acima da média da sociedade", afirmou, segundo O Globo. A campanha segue pelo Sul: na sexta-feira (11), o presidente falou em comício em Porto Alegre.

O calendário do tribunal define os próximos passos. Na terça (15), o plenário discute a validade do relatório da PF e decide se abre investigação contra Moraes ou arquiva o caso. Segundo O Globo, Fachin marcou para o dia 23 a sessão que analisará os relatórios da PF sobre Mendonça e negou a sessão conjunta pedida por Moraes.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar