O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atacou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), neste sábado (5), em ato de campanha ao lado de Fernando Haddad, candidato do PT ao governo estadual, em São José do Rio Preto (SP). No mesmo palanque, Haddad associou Tarcísio ao escândalo do Banco Master e classificou a instituição como "uma máfia para se perpetuar no poder".
Lula falou por cerca de 20 minutos, segundo a Folha de S.Paulo. Chamou Tarcísio de "um cara do Rio de Janeiro" e de "um tenente do Exército", e comparou a trajetória do governador, que foi ministro de Jair Bolsonaro, à do petista formado na USP e ex-prefeito da capital.
"É uma coisa tão abominável que venha um cara do Rio de Janeiro, um tenente do Exército, que não sabia sequer a escola que ia votar, e o povo de São Paulo preferir ele do que um companheiro formado na USP, um companheiro que foi prefeito da cidade, foi ministro da Fazenda, ministro da Educação", disse Lula.
Em seguida, desafiou o público a citar uma obra do governador. "Eu desafio vocês lembrarem de alguma obra que esse homem fez em São Paulo. Duvido, duvido. Vocês não lembram? Não tem uma obra do governo passado e não tem obra agora", afirmou. Segundo a Folha, o presidente não fez referências diretas ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência, nem à crise institucional no STF (Supremo Tribunal Federal). Usou o tempo para listar feitos do governo federal e mobilizar a militância em torno de Haddad.
Haddad mira o Banco Master
Haddad subiu ao palco em tom mais duro. Segundo a Folha, disse que o banco manteve negócios com três ex-ministros do governo Jair Bolsonaro (PL) e que o dinheiro do Master alcançou também o presidente do Banco Central, o candidato a governador de São Paulo e o candidato à Presidência.
"Três ministros, o presidente do Banco Central, o candidato a governador de São Paulo e o candidato à Presidência da República, todo mundo pôs o dinheiro, pôs a mão no dinheiro do Master, e nós não chamamos isso pelo nome que tem? Isso é uma máfia. Quem montou o Banco Master nesse país é uma máfia para se perpetuar no poder", declarou Haddad.
O Poder360 registra que Haddad afirmou que o banco "nasceu, cresceu e se desenvolveu" na gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, indicado por Bolsonaro, e citou os ex-ministros Ciro Nogueira, Flávia Arruda e Fábio Faria como receptores de recursos do fundador do Master, Daniel Vorcaro. "O Master e o Daniel Vorcaro, sem dúvida, corromperam muita gente", disse. O petista também atacou Flávio Bolsonaro: o presidente Lula "está competindo com um sujeito que se sabe pouco sobre ele e que tudo se sabe é ruim". Chamou o rival de "pulha" e afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro "tentou dar um golpe para impedir a posse de Lula e de Alckmin".
A acusação contra Tarcísio se apoia em uma proposta de delação premiada de Vorcaro rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, conforme a Folha. O ex-banqueiro afirmou ter doado R$ 3 milhões à campanha de 2022 do então candidato a governador, sem citar o nome de Tarcísio, para manter o contrato do Credcesta, cartão de crédito consignado do Master. O Poder360 registra o valor de R$ 5 milhões e informa que a transação teria sido operacionalizada por Gilberto Kassab (PSD). Tarcísio e Kassab negam irregularidades.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Tarcísio disputa a reeleição ao governo de São Paulo. Haddad, ex-ministro da Fazenda de Lula, tenta o Palácio dos Bandeirantes. Lula disputa a reeleição presidencial contra Flávio Bolsonaro e outros adversários.