O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em entrevista ao SBT nesta quinta-feira (10). A declaração foi dada no meio do embate entre o governo e o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo destino do chefe da polícia, indicado pelo próprio presidente ao cargo.
"O Andrei é um policial federal muito competente, tem mais de 30 anos de carreira, é o companheiro que possivelmente fez a maior busca e apreensão da história do crime organizado deste país", afirmou Lula, segundo o G1. O presidente citou ainda a fiscalização do Banco Master e a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro entre os feitos do delegado, e acrescentou que Andrei incomoda "porque a Polícia Federal nunca trabalhou tanto".
"Acho que ele incomoda muita gente porque a Polícia Federal nunca trabalhou tanto, nunca prendeu tanto, nunca resgatou tanto dinheiro e tanta droga nesse mandato do Andrei. Por isso, eu quero dizer em alto e bom som o Andrei é da minha total confiança, é um companheiro, sabe, perito, como poucos delegados na história desse país."
A crise no STF
O afastamento preventivo de Andrei foi determinado na terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, do STF. Segundo o ministro, a cúpula da PF promoveu monitoramento ilegal e "arapongagem" contra ele próprio e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias, ao produzir relatórios de inteligência que embasaram medidas tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes. A Segunda Turma do STF formou maioria de três votos pela manutenção dos afastamentos, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Na quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino reverteu o afastamento em outra decisão. O G1 informa que o pedido partiu do próprio diretor-geral da PF; a Folha de S.Paulo atribui a iniciativa à Advocacia-Geral da União. Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões e manteve Andrei no cargo.
Na mesma entrevista, Lula cobrou apuração de todos os envolvidos na crise da corte. "Se o [Alexandre de] Moraes é o culpado, tem que pagar, se o [André] Mendonça é o culpado, tem que pagar, se o Fachin é culpado, tem que pagar", disse o presidente, segundo a Folha.
O desfecho agora passa pelo gabinete de Fachin. Na decisão desta semana, ele determinou que Andrei preste informações em até 48 horas. Depois desse prazo, o presidente do STF decidirá sobre a permanência do diretor-geral no cargo.