O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, atacou neste sábado (12) a atuação do relator dos processos do Banco Master no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro André Mendonça. Em comício na Boca Maldita, no centro de Curitiba, Lula afirmou que "quem fez putaria vai ser desmascarado".
Sem citar o nome do ministro em discurso, o presidente relatou uma conversa com o presidente da corte, Edson Fachin.
"Eu estive com o Fachin e disse que não era possível um cidadão que é um juiz relator ficar soltando matéria pensada, somente sobre o que interessava a ele. Pedi para liberar todo processo. Para saber quem é que está por trás disso. E vamos deixar às claras para ver de verdade quem é ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa", disse Lula, segundo o G1.
Depois, o presidente falou do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, preso desde novembro de 2025 e investigado por suspeita de fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões, segundo a BBC News Brasil.
"O Vorcaro já está preso. Mas agora vai começar a aparecer as orgias que ele fazia. As mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política. Isso vai começar a aparecer. Portanto, quem fez putaria, vai ser desmascarado", disse, segundo a Folha de S.Paulo.
Lula também afirmou que a oposição transformou, em 2019, um agiota em banqueiro, em referência a Vorcaro, segundo o G1. E voltou a dizer que magistrados não podem usar o cargo para enriquecimento pessoal, também sem citar nomes. "Ninguém pode ser ministro da suprema corte para ficar rico, aquilo é um sacerdócio. As pessoas têm de ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade", afirmou. O presidente repetiu que o filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de três inquéritos no STF, não será protegido. "Ele nasceu para fazer as coisas certas e eu acredito na inocência dele. Mas se ele cometeu um erro, ele terá de pagar pelo erro que cometeu", disse.
No mesmo discurso, Lula atacou o ex-juiz Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná pelo PL, que o condenou na Operação Lava Jato em 2017. "Nosso adversário é muito frouxo, mentiroso. Sou vítima da mentira dele", afirmou. No palanque estavam os candidatos ao Senado pelo PT Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha e o candidato ao governo estadual Requião Filho, do PDT. Segundo a Folha, Lula já havia defendido na quarta (9), em publicação em rede social, a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master.
A crise no STF
A crise na corte começou em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com indícios de que Vorcaro trocou informações com o ministro Alexandre de Moraes. Dias depois, Moraes liberou relatórios da inteligência da PF que apontam suspeitas de direcionamento na atuação de Mendonça como relator. Na sexta (11), em ofício a Fachin, Moraes acusou o colega de "escolha seletiva" na divulgação dos autos: segundo o G1, afirmou que o relator disponibilizou apenas 15 procedimentos, de forma incompleta, e omitiu 180 peças. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes também pediram acesso à íntegra do conteúdo do celular de Vorcaro. Mendonça respondeu a Fachin que o aparelho está guardado nos depósitos da PF e que seu gabinete tem apenas uma cópia de segurança lacrada.
O embate chega ao plenário na terça (15). Fachin negou neste sábado o pedido de julgamento conjunto dos casos de Moraes e Mendonça e manteve a sessão extraordinária dedicada à petição em que foram reveladas as mensagens entre Moraes e Vorcaro. A análise dos pedidos de investigação contra Mendonça ficou marcada para o dia 23 de setembro. Segundo a BBC News Brasil, a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a nulidade do procedimento de Mendonça contra Moraes, e o tema também pode entrar na pauta de terça.