O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista exclusiva à Record, que seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deve se defender das acusações que enfrenta e que ninguém está acima da lei. As declarações foram divulgadas neste domingo (23), dia em que a íntegra da conversa seria exibida no programa Domingo Espetacular, em meio às investigações da Polícia Federal (PF) que envolvem Lulinha e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Questionado sobre as apurações, Lula disse que não cabe a ele atuar como juiz, procurador ou delegado e negou qualquer intenção de interferir no trabalho dos investigadores, segundo trechos da entrevista repercutidos pelo InfoMoney e pelo jornal Folha de S.Paulo.
"Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem o direito de provar se é inocente", afirmou o presidente.
Lula acrescentou que a mesma regra vale para o próprio filho. "Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está [acima da lei] se cometer erro", disse. De acordo com o InfoMoney, o presidente afirmou ainda que, se irregularidades comprovadas tiverem causado prejuízo aos cofres públicos, os responsáveis "terão que pagar".
Investigação envolve lobista e ex-chefe de gabinete
Segundo a Folha de S.Paulo, Lulinha foi apontado como beneficiário indireto da atuação da lobista Roberta Luchsinger, que buscou contatos políticos para facilitar a venda de um medicamento ao governo federal. Marcola, que tinha a confiança de Lula e por vezes intermediava ligações do presidente — que não tem celular —, também foi alvo da PF, sob suspeita de ter recebido vantagens indevidas, inclusive financeiras, para auxiliar a lobista.
"Meu filho sabe que, se cometeu erro, vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele", declarou Lula. O presidente disse ainda que há "muitas ilações" em torno do caso e defendeu cautela diante de acusações ainda não comprovadas, segundo o InfoMoney.
Ao explicar a orientação que dá ao filho, Lula recorreu à própria trajetória diante de investigações e mencionou a ex-mulher Marisa Letícia, mãe de Lulinha, de quem afirmou que "morreu por causa da Lava Jato", operação à qual o presidente atribui publicamente a morte da ex-primeira-dama.
As declarações ocorrem em ano de eleição presidencial. Segundo a Folha, um dos pilares da estratégia do PT no caso é ressaltar que, no atual governo, a PF tem liberdade para investigar, em contraposição ao governo Jair Bolsonaro, que acumulou denúncias de interferência na corporação para proteger os filhos — entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que agora disputa a Presidência.