arrow_backVoltar
LulaElectionsfootballbets

Lula diz que vai acabar com as bets e que clubes têm de aprender a viver sem

bookmark_borderSalvar
MRPor Marina Rocha•24 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (23) que vai acabar com as casas de apostas online, as bets, e que os clubes de futebol terão de encontrar outras formas de financiamento. "Essa não é uma guerra, é uma decisão", disse, em ato de campanha com artistas no Rio de Janeiro, a menos de duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial.

Segundo o G1, a fala foi uma resposta à pressão de dirigentes contrários a restrições ao setor. "Em nome da boa política, em nome da sociedade brasileira que a gente vai acabar com isso e os times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro. É isso. Vai ser assim. E isso vai ser bom para a juventude", afirmou o presidente. A Folha de S.Paulo registra outra frase do mesmo evento: "Nós vamos acabar com as bets, e os times que aprendam a virar times de empresários". O jornal aponta que Lula se referia à lei da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), que permite aos clubes deixar o modelo associativo e adotar uma estrutura empresarial.

"A minha preocupação é que hoje tem uma parte da juventude atrelada aos algoritmos. E se a gente não fizer essa luta, os algoritmos vão ganhar. Eu não tenho nenhum problema em dizer. Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets."

Decisão deve sair por Medida Provisória

Antes do ato, Lula reuniu ministros no Palácio da Alvorada para discutir restrições às apostas. Participaram Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Orçamento e Planejamento), Wellington César (Justiça e Segurança Pública) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo integrantes do governo ouvidos pelo G1, o encontro não foi conclusivo. O presidente já decidiu que quer anunciar o fim das bets, mas a equipe está dividida entre a proibição total das apostas e uma medida de impacto menor, como vetar publicidades e proibir cassinos virtuais, como o "Jogo do Tigrinho". O anúncio deve sair por Medida Provisória, e órgãos do Executivo já se organizam internamente com a expectativa de publicação a qualquer momento.

Pressão dos clubes e risco jurídico

No fim da semana passada, alguns dos principais clubes do país divulgaram manifesto conjunto em defesa do mercado regulado de apostas e alertaram para o "fim do futebol brasileiro" caso a restrição avance. Na nota, as equipes afirmam que o investimento das empresas autorizadas "tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte" e que os recursos alcançam também times de menor expressão e divisões de acesso.

A Folha reporta os obstáculos apontados por auxiliares do presidente. O mercado regulado começou a operar em 2025, com 85 empresas autorizadas mediante outorga de R$ 30 milhões, e uma proibição agora abriria batalha judicial, com risco de o Executivo ter de indenizar as plataformas. Aliados citam as apostas entre as causas do endividamento das famílias: estudo do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) com o Cicef aponta que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025.

O próximo passo é a publicação da Medida Provisória. Auxiliares ouvidos pela Folha veem a medida como iminente, salvo uma mudança inesperada na disposição do presidente, mas não têm certeza sobre o alcance da decisão. O tema entrou no centro da campanha à reeleição: na sexta-feira (18), em Guarulhos, e no sábado (19), em Florianópolis, Lula já havia dito que quer acabar com as bets no país.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar