As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) colocaram o preço dos alimentos no centro da propaganda eleitoral desta terça-feira (22), a duas semanas do primeiro turno. Segundo o g1, os programas exibiram críticas diretas entre os dois candidatos e versões opostas sobre o custo de vida das famílias.
Ataques nos programas
Flávio Bolsonaro abriu o horário eleitoral, que funciona em rodízio entre os candidatos. Na peça, o senador disse que Lula tenta "confundir" o eleitor com informações que ele classificou como mentirosas e afirmou que vai apresentar propostas em vez de responder aos ataques. O programa também trouxe propostas de segurança pública: cinco presídios federais de segurança máxima, bloqueio de celulares nas prisões, pena quadruplicada para roubo de celular e redução da maioridade penal.
"Da minha parte, você nunca viu o jogo baixo e nunca vai ver também. Agora, sabe porque o Lula, ao invés de dizer o que ele fez, ele fica falando tão mal de mim? A palavra é vergonha. Lula fala mal de mim porque não quer encarar a vergonha do Brasil ter hoje o recorde de brasileiros endividados de toda sua história... sem conseguir encher o carrinho no supermercado. Porque o governo dele é uma vergonha", disse Flávio Bolsonaro.
No programa de Lula, o foco foi econômico e social. A peça apresentou o fim da escala 6 por 1, a ampliação do Pé-de-Meia, a criação da Rede Brasil contra o Câncer e a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica. O presidente associou o adversário ao governo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o programa fechou a comparação entre os dois com a frase "Falar é Flávio. Fazer é Lula".
"Durante o governo Bolsonaro, o preço dos alimentos disparou e eu vou te mostrar como isso afetou e ainda afeta a sua vida. O feijão e o arroz subiram mais de 45% e a fome voltou. O desemprego cresceu... Lula começou o trabalho de trazer de volta o poder de compra das pessoas. Mas você sente no seu bolso até hoje porque reconstruir leva tempo", afirmou Lula na propaganda.
Pesquisa e disputa no TSE
O confronto ocorre em um momento de aproximação nas pesquisas. A pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira (21), aponta 37% das intenções de voto para Lula e 33% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 42% para o senador e 41% para o presidente. Segundo o g1, a campanha do petista tenta deslocar o foco da crise envolvendo o STF que dominou o noticiário na semana passada, e a do senador quer reduzir a diferença no Nordeste e ampliar a votação no Sudeste.
A disputa pelo preço dos alimentos também chegou à Justiça Eleitoral. De acordo com o Brasil de Fato, a coligação Brasil Pronto pra Mais, que reúne PT, PCdoB, PV, PSB, PDT e Psol/Rede, apresentou na segunda (21) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral contra Flávio Bolsonaro por causa de um vídeo publicado nas redes dele com a pergunta "Quanto tá a picanha na sua cidade?". A coligação alega que a peça descontextualiza uma fala de Lula, aponta R$ 105 mil em impulsionamento pago entre 13 e 18 de setembro, em quatro versões com alcance estimado em mais de 1 milhão de contas, e pede a remoção do vídeo e multa de R$ 240 mil. O relator é o ministro André Mendonça.
Os programas seguem no ar em rodízio até a véspera do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Até a publicação desta reportagem, Mendonça não havia decidido sobre o pedido de liminar da coligação de Lula.