O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou na terça-feira (1º) com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, sobre a crise aberta no tribunal com a revelação das trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a Folha de S.Paulo, o petista e seu grupo político buscam demarcar distância de Moraes, de quem foram próximos nos últimos anos, para tentar impedir que o caso contamine a campanha de reeleição.
As mensagens foram divulgadas na mesma terça. Segundo a Polícia Federal, citada pelo g1, Vorcaro ofereceu a Moraes contratos milionários, experiências de luxo e uma viagem a Londres, e os dois teriam se encontrado oito vezes. O relatório da PF que expôs os diálogos foi encomendado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master na corte. No mesmo dia, segundo a Folha, o decano do tribunal, Gilmar Mendes, procurou Lula para alertá-lo sobre o que chama de falta de apoio das instituições de governo à cúpula da Polícia Federal.
Na manhã de quarta-feira (2), Lula discutiu o assunto com aliados políticos. Ficou definido que as manifestações do grupo seguirão a linha de que ninguém está acima da lei, ideia já expressada pelo coordenador da campanha. O próprio presidente deverá falar sobre o caso, mas apenas quando perguntado em entrevistas, e é provável que use um tom mais brando.
A voz da campanha
Horas após participar da reunião com Lula, o presidente do PT e coordenador da campanha de reeleição, Edinho Silva, divulgou um vídeo nas redes sociais. Nele, afirma que o sistema político e judicial brasileiro vive uma "profunda crise" e "apodreceu", e defende a adoção de um código de ética para o Judiciário e o Ministério Público.
"Ninguém está acima da lei. Seja um cidadão comum, um governante, um parlamentar ou até um integrante do poder Judiciário. O povo brasileiro não suporta mais viver nesse sistema de corrupção e privilégios", disse Edinho Silva.
Sem citar diretamente o caso Master, que também envolve o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Edinho defendeu ainda o fim da "farra das emendas parlamentares", dos supersalários e da "promiscuidade entre interesses públicos e privados". Segundo o g1, até a última atualização da reportagem Lula não havia se pronunciado sobre o caso, enquanto outros candidatos à Presidência já haviam se manifestado.
O que vem a seguir
A resposta institucional agora depende do STF. Fachin afirmou nesta quarta que anunciará nos próximos dias medidas sobre os fatos em análise pela corte, para a qual "a elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades". Deputados da base do governo pediram em petição a quebra do sigilo das investigações sobre o filme "Dark Horse", biografia de Jair Bolsonaro que recebeu recursos de Vorcaro, e a declaração de suspeição de Mendonça no inquérito do Master. O plenário do tribunal fez na quarta sua primeira sessão após as revelações. Lula deve se pronunciar apenas quando for perguntado.