O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (17) que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), usou o cargo "para fazer política". Em entrevista à Rádio Itatiaia, Lula também defendeu que os dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro venham a público "para o povo saber a verdade".
"E agora que o telefone [de Daniel Vorcaro], que estava com o André Mendonça, que estava utilizando o cargo dele para fazer política, está provado que estava fazendo política, fazendo denúncia seletiva, divulgando o que interessava para ele. Então nós estamos certos que isso ainda vai render muito na política", disse o presidente.
O telefone está no centro da disputa entre dois ministros da Corte. Nesta segunda-feira (14), a Polícia Federal informou que entregou aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do aparelho. Ele foi apreendido em novembro, na Operação Compliance Zero, e reúne as mensagens citadas pela PF no relatório usado por Mendonça para pedir uma apuração contra Moraes. Um levantamento da corporação identificou 52 mensagens de Vorcaro com Moraes como destinatário, segundo o G1.
"Aquele famoso telefone secreto que parecia que estava em outro planeta na mão do André Mendonça... agora está na mão do Gilmar [Mendes], está na mão do Flávio Dino, está na mão do Zanin, está na mão de outros ministros da Suprema Corte. Agora é começar a vazar o que precisa vazar de verdade para o povo saber a verdade", afirmou Lula.
Mendonça se manifestou publicamente no mesmo dia. Segundo o G1, o ministro disse que não tem "nada a temer", afirmou que já esperava sofrer represálias e negou ter cometido irregularidades ou ter atuado por motivação política. Ele assumiu a relatoria do caso Master em fevereiro, após o ministro Dias Toffoli deixar as investigações.
Sobre Moraes, Lula disse que o ministro "terá que pagar" se cometeu erro no contrato do Banco Master com o escritório da esposa dele, Viviane Barci de Moraes, segundo a InfoMoney. Na mesma entrevista, o presidente atribuiu a disputa da família Bolsonaro com o ministro a outro motivo. "A briga da família Bolsonaro com o Alexandre de Moraes não é por causa do Banco Master, é pela prisão da família", afirmou.
Lula defendeu ainda que os processos sobre Moraes e Mendonça sejam julgados juntos. "Se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. O que não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e o restante depois", declarou. Segundo a InfoMoney, a questão de ordem sobre a união dos casos, proposta pelo decano Gilmar Mendes, divide a Corte em 4 a 3 pela separação. Um pedido de vista do ministro Flávio Dino pode empatar o placar.
O julgamento relacionado a Mendonça foi adiado nesta semana pelo presidente em exercício do STF, Edson Fachin, que cancelou uma sessão do tribunal. A crise ocorre em ano de eleição presidencial. Vorcaro e o pai, Henrique, foram intimados pela Polícia Federal a depor no dia 30 de setembro.