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Lula nega dinheiro ao BRB e chama Celina de 'cínica' em comício no DF

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MRPor Marina Rocha•18 de setembro de 2026•Fontes: Poder360, G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que o governo federal não vai dar dinheiro para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A declaração foi feita em comício em Ceilândia, na periferia de Brasília, o primeiro evento público de campanha do presidente na capital federal nestas eleições. No mesmo discurso, Lula chamou a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), candidata à reeleição, de "cínica e mentirosa".

Segundo o presidente, o banco comprou títulos sem lastro e há quem pressione o governo federal com o argumento de que, sem um repasse, faltaria dinheiro para pagar o Bolsa Família. O discurso foi registrado pelo G1 e pelo Poder360.

"O BRB comprou títulos que não existiam, R$ 12 bilhões. E agora estão dizendo: 'Presidente, se o senhor não der dinheiro, não vamos poder pagar o Bolsa Família'. Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro, mas não vamos dar dinheiro para o BRB."

Na sequência, Lula atribuiu a crise do banco à relação entre o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. "Quem quebrou o BRB foi a ligação entre Ibaneis e o Vorcaro do Banco Master", disse. E completou, sobre Ibaneis: "Ele está escondido onde, gastando o dinheiro que foi roubado?". As declarações vieram depois da divulgação de mensagens de Vorcaro nas quais ele afirma que Celina, então vice-governadora, participou das negociações entre o BRB e o Master, segundo o Poder360. Celina nega e diz que sempre foi contrária ao negócio.

Celina revida

Mais tarde, em publicação nas redes sociais, a governadora rebateu o presidente. "Lamento a declaração de um presidente da República que quer quebrar o BRB. Eu pensei que ele fosse presidente do Brasil", escreveu. Segundo Celina, a atitude de Lula é a de um "presidente de partido", que "pensa pequeno e partidariamente". Ela disse ainda que o presidente oferece ajuda aos Correios, mas se recusa a permitir um empréstimo ao banco do DF: "Pensei também que os brasilienses fossem brasileiros".

"O banco pertence a população do DF e não pode servir de disputa partidária, ainda mais num palanque de um comício que sequer reuniu três mil pessoas", afirmou.

A crise do BRB

O BRB vive a pior crise de sua história desde novembro de 2025, quando a operação Compliance Zero, da Polícia Federal, revelou suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. O banco distrital injetou R$ 16,7 bilhões no Master na tentativa de comprá-lo; a operação foi barrada pelo Banco Central e, depois, o BRB constatou que parte das carteiras adquiridas era fraudulenta e sem lastro. Em abril, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. O governo do DF, acionista controlador, usa o banco para operar mais de 30 programas sociais, crédito habitacional e a folha de pagamento do funcionalismo.

Segundo dados do próprio banco citados pelo G1, as negociações com o Master entre 2024 e 2025 somaram R$ 30 bilhões, e pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos comprados são inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. O Poder360 reporta que a PF identificou cerca de R$ 12,2 bilhões em títulos falsos. O governo do DF diz recuperar R$ 2,2 bilhões com outras medidas e pede um empréstimo de R$ 6,6 bilhões com garantia da União para cobrir o restante; a lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) foi sancionada em 24 de junho.

O impasse segue em aberto. O governo federal já informou que não pode dar garantia ao empréstimo, mas o DF insiste no pedido. A disputa vai às urnas no primeiro turno, em outubro, com Lula e Celina candidatos à reeleição.

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