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Lula recebe Gilmar no Planalto para tratar da crise entre Moraes e Mendonça

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MRPor Marina Rocha•2 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, Folha de S.Paulo, G1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o ministro Gilmar Mendes no Palácio do Planalto, na tarde desta terça-feira (1º), para tratar da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) aberta com a divulgação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O encontro não constava da agenda oficial da Presidência.

Segundo interlocutores ouvidos pelo InfoMoney, Lula demonstrou preocupação com danos à imagem institucional da Corte e afirmou que é preciso evitar desgastes ao tribunal. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) foi procurada e não comentou. O ministro também não respondeu. Para a Folha de S.Paulo, o recado de Gilmar foi alertar o presidente para o que ele chama de falta de apoio à cúpula da Polícia Federal por parte das instituições de governo. O aviso ocorre em meio à disputa entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça pela condução das investigações do Banco Master. Foi Mendonça quem determinou a elaboração, pela PF, do relatório que expôs as conversas entre Moraes e Vorcaro.

As mensagens foram divulgadas na terça por ordem de André Mendonça, relator do caso Master no tribunal. Segundo a PF, citada pelo G1, Vorcaro teria oferecido contratos milionários, experiências de luxo e uma viagem a Londres ao ministro, e os dois teriam se encontrado oito vezes. Em uma das mensagens, enviada em 15 de novembro de 2025, Vorcaro pergunta a Moraes se precisa deixar o país. A pergunta foi feita dois dias antes da primeira prisão do banqueiro, alvo de suspeitas de fraudes.

Lula marca distância de Moraes

Lula conversou também na terça com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre o escândalo, segundo a Folha. O petista busca marcar distância de Moraes, de quem foi próximo nos últimos anos, para evitar que o caso contamine a campanha de reeleição. Na manhã desta quarta-feira (2), o presidente definiu com aliados que o discurso do governo será o de que "ninguém está acima da lei". A frase já havia sido usada pelo presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, que publicou um vídeo afirmando que "o sistema apodreceu". Lula deve comentar o assunto apenas quando perguntado em entrevistas.

No Senado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial, cobrou que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), coloque em discussão um pedido de impeachment de Moraes. Alcolumbre descarta a medida por ora. Aliados do presidente veem com desconfiança o movimento de Mendonça e falam, sob reserva, em "seletividade". Um ministro do tribunal, também sob reserva, descreveu um clima "tenso" na Corte, dividida em duas alas, uma mais próxima de Moraes e outra de Mendonça.

O que vem a seguir

André Mendonça pretende levar o tema ao plenário do STF, segundo o InfoMoney. Fachin afirmou que analisará os fatos e anunciará medidas nos próximos dias. O tribunal realizou nesta quarta a primeira sessão após a divulgação das mensagens, com o caso fora da pauta.

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