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Mais de 1,2 mil candidaturas barradas pela Justiça Eleitoral; maioria segue em recurso

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MRPor Marina Rocha•18 de setembro de 2026•Fontes: G1, Rádio Itatiaia, Congresso em Foco

A Justiça Eleitoral indeferiu mais de 1,2 mil candidaturas nas eleições de 2026 até a noite de terça-feira, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pelo g1. Do total, 888 registros estão em fase de recurso e 326 foram negados em definitivo.

As rejeições se concentram nas disputas proporcionais. O levantamento do g1 contabiliza 561 candidaturas a deputado estadual e 494 a deputado federal barradas. Vêm na sequência suplentes de senador (73), senadores (31), governadores (24), vice-governadores (19), deputados distritais (9) e um candidato à Presidência.

Ficha Limpa puxa casos conhecidos

O caso mais conhecido é o do presidenciável Pablo Marçal (PRTB), cujo registro foi indeferido pelo TSE na sexta-feira (11) com base na Lei da Ficha Limpa, a legislação que nega candidatura a condenados por certos crimes. A corte apontou falta de comprovação de filiação partidária dentro do prazo legal e registrou que ele está inelegível até 2032, por condenação ligada à oferta de prêmios em concursos de cortes de vídeo na eleição de 2024, segundo o Congresso em Foco. Marçal renunciou à candidatura na segunda-feira (14), e o PRTB escolheu o ex-vice da chapa, Leonardo Avalanche, para disputar a Presidência.

Também tiveram registros negados Anthony Garotinho (Republicanos), candidato ao governo do Rio, José Roberto Arruda (PSD), no Distrito Federal, e Eduardo Cunha (Republicanos), candidato a deputado federal por Minas Gerais. Na terça-feira (15), o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) rejeitou por unanimidade os embargos da defesa de Cunha e manteve o entendimento de que ele é inelegível até fevereiro de 2027, por causa da cassação do mandato em 2016, por quebra de decoro parlamentar. A defesa sustenta que a nova Lei da Ficha Limpa, aprovada em 2025, passou a contar os oito anos de inelegibilidade a partir da cassação, o que tornaria o ex-presidente da Câmara elegível.

"Amanhã estarei entrando com o recurso ao TSE, onde a matéria será apreciada de verdade e certamente esse absurdo do TRE declarar uma lei inconstitucional será revisto", disse Cunha, em nota citada pela Rádio Itatiaia.

Por que as candidaturas caem

As falhas formais lideram os motivos dos indeferimentos: 412 casos por desatendimento a requisito formal, 365 por ausência de condição de elegibilidade e 314 por indeferimento do DRAP, o registro que formaliza as chapas no TSE. Uma mesma candidatura pode acumular mais de um motivo, por isso a soma passa do total. Entre os partidos, DC (185), Democrata (154), Agir (144) e Mobiliza (134) somam 617 negativas, pouco mais da metade dos casos; PSOL (45) e PSDB (42) também aparecem na lista, segundo o g1. O Piauí concentra o maior percentual de candidaturas barradas, 20,9%, seguido por São Paulo, com 12,9%.

Candidatos com registro sub judice podem seguir em campanha, participar do horário eleitoral gratuito e manter o nome na urna, mas a validade dos votos depende do desfecho do processo, segundo o Congresso em Foco. Em consulta própria ao painel do TSE na quarta-feira (16), o site contabilizou 1.138 indeferimentos, dos quais 829 em fase recursal, e 205 registros ainda sem julgamento. Os números variam conforme o momento da consulta ao painel.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Até lá, o TSE precisa julgar os recursos em aberto, entre eles os de Garotinho, Arruda e Cunha. Os três casos dependem das regras da Lei da Ficha Limpa alteradas em 2025, cuja validade ainda está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF).

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