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Margem de lucro da Petrobras supera a da Saudi Aramco pela 1ª vez

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ANPor André Nakamura•20 de setembro de 2026•Fontes: UOL Economia, Agência Brasil, CartaCapital

A Petrobras alcançou, no primeiro semestre de 2026, a maior margem de lucro entre as grandes petroleiras do mundo e superou pela primeira vez a saudita Saudi Aramco no ranking. De cada US$ 100 em vendas, US$ 29,15 viraram lucro líquido, segundo estudo da Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgado em 16 de setembro e noticiado pela Agência Brasil. No período, a estatal brasileira registrou lucro líquido de R$ 85,1 bilhões.

O levantamento, coordenado pelo economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), instituto ligado ao movimento sindical, compara os balanços das grandes petroleiras desde 2020 com base em dados divulgados pelas próprias companhias. A FUP reúne sindicatos que representam mais de 105 mil trabalhadores da indústria do petróleo. De 2020 a 2025, a Saudi Aramco liderou o ranking todos os anos, com a Petrobras em segundo em todos, com exceção de 2024. Empresas chinesas, como Sinopec e PetroChina, ficaram fora do comparativo. No semestre, a margem da estatal ficou 3,7 pontos percentuais à frente da rival. Veja o ranking completo do Dieese:

  • Petrobras: 29,15%
  • Saudi Aramco: 25,48%
  • Chevron: 18,01%
  • ExxonMobil: 16,33%
  • BP: 14,83%
  • Equinor: 12,84%
  • Shell: 9,94%
  • TotalEnergies: 9,44%

Em lucro absoluto, Aramco segue muito à frente

Em dólares, a Petrobras segue em terceiro lugar entre as petroleiras mais lucrativas, atrás da Saudi Aramco (US$ 65,4 bilhões) e da ExxonMobil (US$ 18,7 bilhões); o lucro de US$ 16,6 bilhões da estatal superou o de Shell (US$ 15,5 bilhões) e Chevron (US$ 14,3 bilhões). Os dois indicadores medem coisas distintas: a margem mostra que proporção da receita sobra após custos, despesas e tributos, e o lucro absoluto depende também do tamanho da operação de cada companhia.

Onde o dinheiro entra

Para Cararine, o resultado inédito reflete a "grande eficiência operacional da companhia". Ele atribui o desempenho ao aumento da produção, à alta dos preços internacionais do petróleo (efeito da guerra no Oriente Médio), à redução dos gastos gerais e ao modelo integrado, em que a empresa produz e refina o óleo. Na avaliação do economista, essa combinação dá à Petrobras mais capacidade de atravessar crises que as concorrentes internacionais.

A base física do resultado veio de recordes operacionais. No segundo trimestre de 2026, a produção de petróleo e gás natural chegou a 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, a maior da história da companhia; cerca de 30% do volume, 996 mil barris por dia, foi vendido ao exterior. As refinarias operaram com o maior fator de utilização já registrado, de 101,2%.

Para a companhia e seus acionistas, entre eles a União, que controla a estatal, a margem recorde significa mais caixa. Para o consumidor, o estudo lembra de onde veio parte do ganho: dos preços internacionais do petróleo elevados pela guerra no Oriente Médio, que sustentaram as vendas de cru e derivados no semestre.

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