O celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro está com a Polícia Federal. O relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, afirmou nesta sexta-feira (11), em resposta ao ministro Cristiano Zanin, que seu gabinete tem apenas uma cópia de segurança lacrada e criptografada do conteúdo.
Segundo o relator, uma decisão de fevereiro de 2026 determinou expressamente que os itens apreendidos permanecessem nos depósitos da PF, para resguardar a cadeia de custódia. O aparelho, um iPhone 17 Pro, foi apreendido pela corporação. De acordo com o G1, Mendonça explicou que a PF remeteu voluntariamente, em março de 2026, um HD criptografado dentro de um envelope fechado, que permaneceu intocado e lacrado desde então.
Zanin reitera pedido
No mesmo dia, Zanin encaminhou novo ofício ao presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin, insistindo no acesso integral ao material. Para ele, a entrega em envelope lacrado pela autoridade policial não afasta a obrigação de compartilhar o conteúdo com os demais ministros.
"A mídia solicitada encontra-se no gabinete de Sua Excelência e deve ser compartilhada com os demais julgadores para que todos tenham a mesma oportunidade de análise dos elementos relacionados ao aludido processo", escreveu Zanin.
Zanin sustentou que "a preservação da cadeia de custódia deve ser feita em relação ao material original, e não em relação à cópia". Ele lembrou que a praxe do tribunal garante a todos os ministros o acesso ao acervo do relator antes dos julgamentos e que os advogados de Vorcaro já receberam da PF a cópia do espelhamento do celular. Restringir aos ministros o mesmo conteúdo, avaliou, configuraria "evidente incongruência e geraria severas dificuldades no julgamento". Como alternativa, Zanin pediu que a presidência do STF determine à PF o envio de uma cópia dos dados diretamente a cada gabinete da Corte.
Em outro ofício, o ministro Alexandre de Moraes reforçou o pedido de Zanin. "Não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento", declarou.
Sessão de terça-feira
O impasse antecede a sessão de terça-feira (15), em que o STF analisará o relatório da PF que identificou 52 mensagens de Vorcaro para Moraes. A Corte decidirá se abre ou não investigação contra o ministro. Zanin defendeu que todo o colegiado tenha a mesma oportunidade de analisar os elementos antes da votação, independentemente da análise feita pelo relator.