O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sinalizou a auxiliares que não vê margem para uma trégua com a Polícia Federal nas tensões em torno dos inquéritos contra o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. A informação é da Folha de S.Paulo, em reportagem publicada nesta sexta-feira (28). Até o momento, nenhum outro veículo confirmou o conteúdo da apuração.
O presidente do STF, Edson Fachin, acompanha a crise com preocupação e tenta evitar uma escalada. Segundo a Folha, ele disse a interlocutores que é seu dever preservar as instituições e que, com discrição, busca dialogar com todos os envolvidos. Na semana passada, Fachin se reuniu com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em encontros descritos por um interlocutor como "audiências para aparar arestas".
Mendonça é o relator dos inquéritos no Supremo. Segundo a reportagem, ele se queixa da demora da PF nas apurações sobre as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e vê uma tentativa de impedir que as investigações avancem sobre aliados e familiares do presidente Lula (PT), candidato à reeleição em 2026. Um magistrado aliado do ministro descreveu o clima nos bastidores da corte como "um corre-corre para baixar a temperatura".
Do outro lado, a cúpula da PF enxerga intromissão do relator na autonomia da corporação. Um dos pontos de atrito, segundo a Folha, é a determinação de que qualquer mudança na equipe de investigadores seja comunicada ao ministro de antemão. Integrantes da direção da PF afirmam que o pedido de abertura de três frentes de investigação contra Lulinha e a operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), no caso do Banco Master, demonstram que não há uso político das apurações. Dizem ainda que Mendonça levou menos tempo para autorizar diligências contra Wagner do que contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o presidente do PP, Ciro Nogueira, e o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
O caso Banco Master, um dos focos do desgaste, seguiu em movimento nesta sexta-feira. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde março, depôs à PF por videoconferência, em uma oitiva de quatro horas e meia, no inquérito que apura a suspeita de favorecimento por servidores do Banco Central, segundo o G1. A defesa afirmou que ele respondeu a todos os questionamentos e negou atos de corrupção.
Por ora, não há trégua à vista. Fachin mantém as conversas discretas com os dois lados, enquanto Mendonça permanece à frente dos inquéritos como relator. Os próximos passos dependem das decisões do ministro e do andamento das investigações da PF, em um cenário que a corte tenta impedir que se agrave.