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Menos mulheres negras e mais homens brancos entre jovens candidatos em 2026

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As candidaturas jovens ao Legislativo nas eleições de 2026 têm menos mulheres negras e mais homens brancos. O dado é do primeiro relatório do Monitor Jovem DX, divulgado em setembro e reportado pela Folha de S.Paulo. O levantamento cobre candidatos de até 29 anos aos cargos de deputado federal e estadual e interrompe, ao menos no retrato preliminar, uma trajetória de maior diversidade.

Mulheres eram 49,1% das candidaturas jovens em 2022, após três eleições próximas da paridade. Agora representam 40,5% dos registros. A queda atravessa o espectro ideológico. Nas candidaturas jovens de esquerda, a participação feminina passou de 51% para 46,7%; nas de direita, de 48,3% para 37,5%. O perfil juvenil se aproxima, assim, do conjunto de todos os candidatos, em que as mulheres foram de 34% em 2022 para 35,3% em 2026.

O efeito Missão

Na combinação entre gênero e raça, o quadro também se alterou bastante em relação ao pleito anterior, segundo a Folha. O movimento coincide com a chegada de um novo partido à disputa. O Missão, em sua primeira eleição, concentra 178 dos 912 registros de candidaturas jovens identificados pelo monitor, ou 19,5% do total registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). E 70,8% dos jovens candidatos da legenda são homens.

"A estreia do Missão é uma das principais novidades da disputa em 2026 e chama a atenção pela forte presença de jovens no partido", afirma Beatriz Besen, coordenadora do Monitor Jovem DX e pesquisadora do Nupmos (Núcleo de Pesquisas em Psicologia Política e Movimentos Sociais), da PUC de São Paulo.

Para Besen, o desequilíbrio trazido pela entrada do Missão integra uma mudança mais ampla no perfil das candidaturas jovens. Entre os nomes do partido está o influenciador Vitor Antoun, de 26 anos, candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, segundo a Folha. O monitor é desenvolvido pelo Instituto Democracia em Xeque em parceria com o Nupmos, com apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil, e analisou dados do TSE extraídos do Portal de Dados Abertos em 3 de setembro.

Contraste com o conjunto das candidaturas

O recorte jovem diverge do quadro geral da disputa. Levantamento do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e da consultoria CommonData, com dados do TSE até 16 de agosto divulgados pela Agência Brasil, aponta que pessoas negras chegaram a 49,8% das 20.448 candidaturas válidas. Homens brancos seguem como o maior grupo isolado, com 6.688 candidaturas (32,7% do total). Mulheres negras somam 3.719 registros (18,2%), ante 17,3% em 2022.

Carmela Zigoni, assessora política do Inesc, pondera que a presença nas chapas não garante igualdade de condições na disputa. Financiamento, estrutura partidária, tempo de propaganda e mecanismos de heteroidentificação também precisam entrar na avaliação da representatividade, segundo ela. A Emenda Constitucional 133, aprovada em 2024, mudou os critérios de distribuição dos recursos eleitorais destinados às candidaturas negras.

Os números seguem preliminares até a definição final das candidaturas. O Inesc e a CommonData apresentam os resultados completos do estudo no final de setembro. O Monitor Jovem DX prepara novos relatórios ao longo da campanha, segundo sua página institucional.

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