O material da Polícia Civil de São Paulo tornado público após o fim do sigilo do caso "Dark Horse" inclui mensagens que tentam associar o senador Flávio Bolsonaro à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo a coluna Encaminhado com Frequência, da Folha de S.Paulo. A divulgação é resultado da decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que no domingo (13) retirou o sigilo do inquérito sobre o financiamento do filme e determinou o envio do conteúdo à Polícia Federal.
Para a Folha, a decisão devolveu o caso ao centro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O tema acompanha o candidato desde maio, quando se tornou público o áudio em que ele pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o jornal, episódios recentes mostram que o senador já vinha sendo investigado por suspeita de irregularidades na produção do filme, e novos elementos têm potencial de prejudicar a campanha.
A decisão que citou o PCC
Dino mencionou a facção duas vezes na decisão de domingo, segundo o CartaCapital. Ao assumir o comando da investigação, o ministro escreveu que o suposto esquema de desvio de recursos públicos "alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha investigativa mencionada nos autos". Ele também citou "atos interligados até com a facção criminosa PCC, o que pode significar uma dimensão interestadual, a recomendar atuação da Polícia Federal".
O elo com a facção descrito nos autos passa por Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pela polícia como integrante relevante do PCC em São Paulo. Ele era sócio da Urban Connect Serviços e Tecnologia, empresa que recebeu mais de R$ 1,2 milhão do Instituto Conhecer Brasil, de Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora de "Dark Horse". "Se proprietários de bancos, políticos ou magistrados figuram como suspeitos em um conjunto de procedimentos, todas as investigações devem ter marcha congruente, com ampla publicidade", escreveu Dino, em trecho citado pelo Poder360.
Operação e próximos passos
Na quinta-feira (10), a PF deflagrou a Operação Make Up para apurar desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares ligadas ao filme. Os alvos incluíram o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo da obra, e Karina. Frias classificou a apuração como "cortina de fumaça". A defesa de Karina afirmou à reportagem do G1 que a retirada do sigilo é "positiva" e que "a publicidade dos elementos da investigação permitirá que os fatos sejam conhecidos em sua integralidade e examinados objetivamente".
Dino determinou que todo o material bruto extraído dos celulares apreendidos pela Polícia Civil seja enviado à PF, que agora tem a custódia dos aparelhos. O inquérito sobre as emendas segue com relatoria de Dino no STF, em paralelo à investigação do Banco Master, conduzida pelo ministro André Mendonça. Não há prazo definido para a conclusão da análise do material.