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Metade da verba pública de campanha à Câmara está em 7% dos candidatos

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MRPor Marina Rocha•16 de setembro de 2026•Fontes: Sul21, Folha de S.Paulo, Congresso em Foco

Metade do dinheiro público destinado às campanhas para a Câmara dos Deputados está concentrada em apenas 7% dos candidatos. O dado é de uma análise da Folha de S.Paulo sobre a prestação parcial de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), encerrada no domingo (13), a menos de três semanas do primeiro turno das eleições 2026.

Os 7.700 candidatos a deputado federal receberam, ao todo, R$ 2,76 bilhões em verba pública transferida pelos partidos. Só 579 deles (7,4%) ficaram com mais de R$ 1,58 milhão cada, o equivalente à metade do teto de gastos por candidatura, fixado em R$ 3,17 milhões. Somados, esses poucos nomes controlam R$ 1,36 bilhão, quase a metade de todo o dinheiro distribuído no cargo.

A concentração se repete na disputa pelas assembleias legislativas. Entre os 11,7 mil candidatos a deputado estadual e distrital foram repassados R$ 1,1 bilhão, e apenas 388 (3%) receberam mais de R$ 635 mil, metade do limite de R$ 1,27 milhão para o cargo, segundo a Folha.

O peso do dinheiro público

O dinheiro público domina o financiamento eleitoral brasileiro desde a proibição das doações empresariais, em 2015. Nesta eleição, os partidos dispõem de R$ 4,96 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, além da verba do fundo partidário, que também pode ser usada nas campanhas. Um levantamento da plataforma 72Horas, publicado pelo Congresso em Foco, mede esse peso: até 3 de setembro, as campanhas haviam declarado R$ 3,38 bilhões, dos quais 93% vieram dos fundos Eleitoral e Partidário.

A base da pirâmide fica de fora dessa conta. Segundo o mesmo levantamento, 2.975 candidatos a deputado federal, 38% do total, ainda não haviam registrado qualquer receita em 3 de setembro. No conjunto das eleições, 45% das candidaturas estavam nessa situação. O jornal Sul21, que examinou os repasses no Rio Grande do Sul, descreve o mesmo padrão: os partidos concentram a maior parte dos recursos em candidatos à reeleição e em nomes já conhecidos, como ex-prefeitos e ex-deputados. A concentração também atinge as legendas. PL, PT, PSD, PP e União Brasil somaram R$ 2,13 bilhões, 63% de tudo o que foi declarado.

O próximo marco é a urna. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Terminada a votação, as campanhas terão de prestar contas finais à Justiça Eleitoral, quando os dados completos de distribuição do fundo poderão ser conferidos.

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