arrow_backVoltar
PoliticsElectionsreligionstf

Michelle Bolsonaro chama Mendonça de 'ungido do Senhor' e pede que não retroceda

bookmark_borderSalvar
MRPor Marina Rocha•6 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, Revista Oeste

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou na noite de sábado (5) uma mensagem de apoio ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Candidata ao Senado pelo PL no Distrito Federal, ela chamou o magistrado de "escolhido e ungido do Senhor". A publicação no Instagram veio um dia depois de o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, retirar do inquérito das fake news o pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigar o colega.

No texto, Michelle escreveu que a igreja ama Mendonça e que há pessoas que oram, choram e se alegram por ele. "Você foi chamado para este tempo. A nossa maior alegria é saber que você é um grande e verdadeiro homem de Deus", afirmou. Segundo a Revista Oeste, ela publicou também uma foto em que aparece de mãos dadas com o ministro e terminou a mensagem com uma ordem: "Seja forte e corajoso. Não retroceda!"

De uma "visão" ao STF

Michelle contou que teve uma visão antes da indicação de Mendonça ao tribunal, feita pelo então presidente Jair Bolsonaro em julho de 2021.

"Em um dia muito marcante, na nossa salinha de consagração, Deus me revelou a sua entrada naquele tribunal. Ele abriu a minha visão, e o vi entrando com uma nuvem branca sobre a sua cabeça."

Pastor presbiteriano, ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça, Mendonça foi aprovado pelo Senado em 1º de dezembro de 2021, por 47 votos a 32. Na época, Bolsonaro prometia indicar um nome "terrivelmente evangélico". Michelle acompanhou a votação e celebrou o resultado ao lado de líderes religiosos.

A crise entre Mendonça e Moraes

Mendonça é o relator das investigações sobre o caso do Banco Master. Na semana passada, ele retirou o sigilo de documentos da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao fundador do banco, Daniel Vorcaro, que indicam contato com Moraes. Moraes reagiu na quinta-feira (3): pediu que o colega fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução das operações Compliance Zero, sobre o Banco Master, e Sem Desconto, que apura fraudes no INSS. Segundo Moraes, Mendonça teria direcionado investigações contra os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Mendonça contesta as acusações.

Na sexta-feira (4), Fachin retirou os documentos do inquérito das fake news e os transferiu para a Petição 16.704, sob responsabilidade da Presidência do STF. A decisão não reconheceu a validade das acusações nem abriu automaticamente uma investigação. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem cinco dias úteis para se manifestar sobre o pedido de Moraes. Depois, Mendonça pode responder no mesmo prazo.

A publicação chega em plena campanha para as eleições de outubro. Segundo a Folha de S.Paulo, Michelle pode se tornar a primeira ex-primeira-dama brasileira eleita a um cargo eletivo. O calendário do STF corre em paralelo: vencidos os prazos de Gonet e de Mendonça, cabe a Fachin decidir se abre a investigação pedida por Moraes.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar