Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que há poucas chances de o ex-banqueiro Daniel Vorcaro firmar um novo acordo de delação premiada, segundo reportagem do R7 publicada nesta sexta-feira (28). A leitura na corte é de que o antigo controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central, dificilmente transformará a nova ofensiva de sua defesa em um acordo homologado.
A defesa de Vorcaro tenta viabilizar uma terceira proposta de colaboração. De acordo com a CNN Brasil, a equipe foi reforçada com o criminalista Daniel Bialski e pediu audiência com o relator do caso no STF, ministro André Mendonça. Os advogados também solicitaram autorização para despachos de até seis horas diárias com o cliente preso. A estratégia é recomeçar do zero a relação com o relator, após os atritos entre Mendonça e o advogado José Luís de Oliveira Lima, o Juca, apontados nos bastidores como uma das causas do fracasso da primeira tentativa de delação.
Mendonça já sinalizou distância. Em 14 de agosto, o ministro disse ao ICL Notícias que não negocia condições de delação com os advogados de Vorcaro. Investigadores ouvidos pelo mesmo veículo afirmaram, em 20 de agosto, que só aceitariam reabrir a negociação diante de uma delação completa, com o compromisso de que o ex-banqueiro não volte a mentir.
As duas tentativas anteriores naufragaram. A Gazeta do Povo informou em julho que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal decidiram encerrar as negociações do acordo então em curso. No domingo (23), a Folha de S.Paulo noticiou que a PF vai recusar a nova proposta de delação de Vorcaro.
Depoimento à PF
Nesta sexta-feira, Vorcaro depôs por quatro horas e meia à PF, por videoconferência, no inquérito que apura se ele beneficiou os ex-supervisores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana durante a fiscalização do Master, segundo o G1. Em nota, a defesa afirmou que o ex-banqueiro respondeu "de forma clara e consistente" às perguntas e sustentou que não houve ato de corrupção envolvendo os servidores.
Vorcaro está preso preventivamente desde março. Ele já havia sido detido em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, e solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Os próximos passos estão agora com as instituições. A PF previa concluir o inquérito sobre as fraudes do Master e indiciar o ex-banqueiro, e cabe a Mendonça decidir se recebe a defesa para a audiência solicitada. Qualquer novo acordo de delação dependeria antes de aceitação da PF e da PGR, para só depois seguir à homologação no STF.