O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniu nesta quarta-feira (2), um dia após a divulgação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Foi a primeira sessão da Corte desde a revelação. Nenhum dos dez ministros presentes mencionou a crise, e Moraes e o ministro André Mendonça, relator do caso Master, dividiram a bancada sem conversar, segundo a CNN Brasil.
A proximidade entre os dois não foi escolha. Como explica a CNN Brasil, a distribuição dos assentos no plenário segue a antiguidade de cada ministro, medida pela data de posse. O presidente da Corte, Edson Fachin, ocupa o centro, e os demais se sentam alternadamente à direita e à esquerda, do mais antigo ao mais recente. Moraes tomou posse em 2017; Mendonça, em 2021. Na composição atual, a regra coloca os dois lado a lado.
Sessão de rotina
A sessão seguiu a rotina. Fachin abriu os trabalhos normalmente e priorizou processos com sustentações orais, relata a CNN Brasil. A pauta incluía, segundo o g1, a proclamação da tese do julgamento que discute a constitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física (Funrural). Os ministros debateram o alcance da tese, fizeram um intervalo e encerraram o dia sem tratar da crise. Mais cedo, Fachin havia classificado o momento como de "especial gravidade" e afirmado que medidas "cabíveis" seriam anunciadas nos próximos dias.
Impasse sobre a resposta
O silêncio no plenário contrasta com o cenário dos bastidores. Na segunda-feira (31), Moraes e Mendonça tiveram uma conversa descrita por fontes da CNN como "direta, dura e ríspida", depois de o relator informar que encaminharia à Procuradoria-Geral da República o relatório da Polícia Federal com referências ao colega. Na terça (1), Mendonça retirou o sigilo do material. Entre os trechos revelados estão conversas em que Vorcaro escreve ter "gratidão da minha vida" a Moraes e pergunta, dias antes de ser preso, se deveria deixar o país. Segundo o g1, a PF aponta que o banqueiro ofereceu contratos milionários, experiências de luxo e uma viagem a Londres ao ministro, e registra oito encontros entre os dois.
A Corte discute agora como responder. Segundo a Folha de S.Paulo, Fachin foi aconselhado a deixar a temperatura baixar e a não pautar de imediato a decisão que pode resultar na abertura de investigação formal contra Moraes ou na declaração de nulidade dos atos de Mendonça. O jornal aponta que o único voto certo ao lado do relator é o do ministro Luiz Fux. Contra os métodos adotados por Mendonça, segundo a Folha, estão Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia e o próprio Fachin aparecem como dúvidas. Um assessor da cúpula do tribunal ouvido pela Folha diz que Moraes não participaria da votação por estar diretamente implicado; Dias Toffoli já se declarou suspeito em casos ligados ao Master.
O próximo passo é de Fachin. Ele prometeu anunciar medidas nos próximos dias, e o plenário terá de decidir o destino do relatório da PF e dos atos do relator. Nem Moraes nem Mendonça falaram com a imprensa sobre o caso ao fim da sessão, segundo a CNN Brasil.