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MPF e Receita miram grupo dono da Betnacional por sonegação e lavagem

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ANPor André Nakamura•30 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1, Receita Federal

O Ministério Público Federal e a Receita Federal deflagraram nesta sexta-feira (28) a Operação Jogo de Sombras, que apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro ligadas ao grupo NSX, dono da plataforma de apostas Betnacional. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP). Os órgãos não divulgaram oficialmente o nome da empresa investigada; a identificação do grupo é da reportagem da Folha de S.Paulo.

De acordo com a Procuradoria, a plataforma movimentou mais de R$ 5 bilhões apenas em 2025. Segundo a Receita, os investigados montaram uma empresa de fachada em Curaçao, ilha no Caribe, para simular que a operação ocorria fora do Brasil no período anterior à regulamentação das apostas de quota fixa. As investigações indicam, porém, que empresas brasileiras vinculadas ao grupo seriam as verdadeiras responsáveis pela operação no país.

O rastro do dinheiro, segundo os investigadores, passava ainda pelo envio de recursos ao exterior seguido do retorno de parte dos valores ao Brasil como pagamento por serviços, um modelo que serviria para justificar a entrada de dinheiro antes remetido para fora. A Receita aponta também o uso de "contas bolsão" em fintechs, que concentram recursos de diferentes clientes em uma mesma conta, e a declaração de despesas supostamente fictícias para reduzir impostos.

"Embora o grupo investigado tenha obtido autorização para atuação no segmento a partir de 2025, há indícios de que a exploração da atividade já ocorria anteriormente em território nacional, sem autorização e sem o recolhimento dos tributos devidos", afirma a Receita Federal em nota.

Paralelamente aos mandados, a Receita abriu 11 procedimentos fiscais para aprofundar a apuração. Segundo o órgão, a recuperação potencial de tributos é estimada em cerca de R$ 300 milhões. A investigação é conduzida pelo Gaeco, o grupo de combate ao crime organizado do MPF, e os detalhes seriam apresentados em coletiva às 10h45 desta sexta, no Ministério da Fazenda, em Brasília.

Segunda operação contra bets em agosto

É a segunda grande ação conjunta de Receita e MPF contra o mercado de apostas no mês. No dia 13, a Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados, com decisão judicial para apreensão de bens e valores de até R$ 1 bilhão, segundo o G1.

Para as empresas que entraram na regulamentação pagando licença e tributos, a sequência de operações indica que o fisco passou a tratar a fase anterior à regulamentação como período tributável, e não como terra de ninguém. Para o apostador e o contribuinte, o que está em jogo é a recuperação de impostos sobre um mercado que movimentou bilhões antes de qualquer regra valer. A Folha não conseguiu localizar a defesa dos investigados até a publicação de sua reportagem.

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