O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, foi entrevistado nesta quinta-feira (27) pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A sabatina foi transmitida ao vivo logo após o Jornal Nacional e foi a quarta de uma série com os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto, segundo o G1.
Lulinha e Marcola
Questionado sobre as investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, Lula disse que não interferirá nas apurações. "Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal, eu não vou fazer qualquer movimento pelo meu filho", afirmou. "Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro." O presidente classificou as acusações contra o filho como "ilações" e disse ter certeza de que ele será inocentado. "Não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger o meu filho."
Lula também foi perguntado sobre os pagamentos da lobista Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência. "Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe do erro que ele cometeu, porque não é esse o papel do chefe de gabinete", disse. O presidente chamou a lobista de "pilantra", afirmou que não a conhece e sustentou que as mensagens obtidas pela PF não comprovam crime. "O que nós precisamos saber é o seguinte: essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que ela disse que estava atrás? Tem prova de que tem dinheiro público? Porque aí é que está o crime", declarou, segundo o G1. Segundo o Estadão, ele resumiu: "Era uma pessoa de total confiança, cometeu o erro, paga o preço."
Sobre a fraude no INSS, Lula afirmou que o governo atuou para punir os responsáveis e ressarcir aposentados e pensionistas. "Nós fizemos questão de pegar na cadeia as pessoas, fizemos questão de pagar o devido", disse, segundo o Estadão. Ao ser questionado sobre o caso Banco Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA), o presidente disse que há um caso "mais grave" que estaria "silenciado", sem dar detalhes.
Contas públicas e Correios
No bloco econômico, perguntado se pretende cortar gastos obrigatórios, como defende o ministro da Fazenda, Dário Durigan, Lula não especificou despesas e garantiu que o país terá superávit. "O déficit era 2,8%. O último foi 0,8% e, agora, vai ser positivo. Nós vamos fazer superávit", afirmou. Ele disse querer uma "revolução tecnológica" em um eventual novo mandato, com investimentos em inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e defesa. "Eu já acabei com a fome duas vezes. É por isso que eu estou pleiteando o quarto mandato."
Lula também descartou a privatização dos Correios, que acumulam quatro anos de prejuízo e um rombo histórico de R$ 15 bilhões. "Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios", disse, ao reconhecer que a estatal "não se adaptou a um novo tempo". Segundo o G1, o candidato ainda falou sobre o avanço do crime organizado nas últimas décadas e sobre a qualidade do ensino médio.
A série de entrevistas da Globo continua nesta sexta-feira (28), com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e termina no sábado (29), com Augusto Cury. O primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro.