O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o pronunciamento do 7 de Setembro deste domingo (6) para declarar que o Brasil "não é e nem será colônia de ninguém". A fala foi transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão e tratou da defesa da soberania, com críticas indiretas, segundo o G1, ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
"Precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos, e não seremos colônia de ninguém", disse o presidente.
Lula definiu o que entende por soberania. "Um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros", afirmou. Em seguida, defendeu o livre comércio. "Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém." Para a Folha de S.Paulo, as frases foram recados indiretos ao presidente americano, Donald Trump, que já rejeitou a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e acenou à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Terras raras e petróleo
O presidente citou ainda a exploração de terras raras e de petróleo na Foz do Amazonas. Ele lembrou a aprovação, no Senado, do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com fundo garantidor e crédito tributário de R$ 5 bilhões para incentivar o processamento de minérios no país. "Temos a segunda maior reserva de Terras Raras do mundo, e a maior fonte de água doce. No último mês, descobrimos uma nova e rica reserva de petróleo. Essas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro", disse. Segundo a Folha, o tema entrou na campanha quando Ronaldo Caiado (PSD), adversário de Lula na disputa presidencial, sugeriu uma parceria com os EUA para explorar os minérios em Goiás.
Autorização do TSE
Como 2026 é ano de eleições, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência pediu autorização ao Tribunal Superior Eleitoral para veicular o pronunciamento em rede nacional. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, autorizou a transmissão na sexta-feira (4). Na decisão, ele escreveu que a divulgação "é de interesse público", porque a data "integra o calendário oficial brasileiro e possui significado histórico e institucional autônomo em relação às funções de governo".
A Folha observa que soberania e minerais estratégicos viraram eixos da campanha de reeleição de Lula. O pronunciamento chegou exatamente a quatro semanas do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 4 de outubro.