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Operador de Vorcaro, o 'homem da mala', entrou no Planalto em janeiro de 2024

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O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, registrou entrada no Palácio do Planalto em 23 de janeiro de 2024. O registro consta dos controles da portaria obtidos pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, por meio da Lei de Acesso à Informação. Freixo é apontado, em delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), como o "homem da mala" do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A entrada foi registrada às 14h42 de uma terça-feira. Segundo o Metrópoles, foi a única passagem de Freixo pelo Planalto no período coberto pelos registros, de janeiro de 2022 a março de 2025. O nome dele não aparece na agenda oficial de nenhuma das autoridades que trabalham no palácio, sede do Executivo federal.

O que diz a delação

Na colaboração com a PGR, Freixo disse que convertia valores em dinheiro vivo e entregava quantias em malas, de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão, a destinatários definidos por Vorcaro. Ele afirma ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão nessa atividade entre 2020 e 2025 e disse entender que parte dos recursos era destinada ao pagamento de comissões e vantagens indevidas. Segundo o Metrópoles, o empresário afirmou ter vídeos das entregas das malas de dinheiro.

Freixo é dono da Entre Investimentos, empresa usada por Vorcaro no aporte de ao menos US$ 14 milhões, cerca de R$ 72 milhões pelo câmbio da época, ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O dinheiro saiu do Banco Master, passou pela empresa de Freixo e chegou ao Havengate Development Fund, fundo aberto no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A coluna do Metrópoles procurou a Secretaria de Comunicação da Presidência e o próprio Freixo. Até a publicação, não houve resposta de nenhum dos dois.

Homologação pendente

A delação foi fechada com a PGR em agosto e encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não decidiu se homologa o acordo. Segundo o Metrópoles, um juiz auxiliar do gabinete do ministro deve ouvir Freixo na terça-feira (8/9) para verificar se a colaboração foi celebrada de forma espontânea, procedimento padrão nesse tipo de acordo. É a segunda delação do caso Master, que atravessa o STF: a primeira foi firmada por João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, que, segundo o O Antagonista, disse ter informações sobre cerca de R$ 20 bilhões em ativos ocultos no Brasil.

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