Líderes da oposição ameaçaram nesta segunda-feira (14) travar todos os trabalhos do Senado se o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não abrir o processo de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. O aviso foi dado em coletiva de imprensa no Senado, um dia antes de o Supremo decidir se abre investigação contra o ministro.
O senador Carlos Viana, de Minas Gerais, liderou a cobrança. "Se esse afastamento não acontecer, vamos cobrar de Alcolumbre o impeachment de Alexandre de Moraes. Caso contrário, vamos obstruir os trabalhos da Casa", afirmou, segundo a Rádio Itatiaia. Diante dos jornalistas, ele ampliou a ameaça, segundo o Poder360:
"Nós somos unânimes em cobrar que o presidente do Senado Federal tem por obrigação abrir o processo de impeachment de Moraes para o bem da República Brasileira. Caso contrário, nós faremos uma obstrução contínua sobre todos os trabalhos para chamarmos a população brasileira."
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL), disse ao Poder360 que há 61 assinaturas a favor do afastamento do ministro. Segundo ele, Alcolumbre tem se recusado a receber os senadores para uma reunião sobre o tema. Marinho também coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
Pressão sobre o regimento
Hoje, a prerrogativa de dar andamento ou não a processos contra ministros do STF cabe sozinha ao presidente do Senado. Marinho disse que o regimento dá um poder desmedido a Alcolumbre e anunciou uma proposta para mudar a regra:
"Nós vamos propor a mudança do Regimento do Senado da República para que, na hora em que 49 senhores senadores e senadoras, através de requerimento, formulem o pedido de abertura de um inquérito por crime de responsabilidade, isso seja feito automaticamente, independentemente da vontade do presidente da Casa."
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) participou da coletiva. Segundo o Estadão, ela acionou 40 senadores para acompanhar em Brasília o julgamento de Moraes no STF, marcado para as 10h desta terça-feira (15). "Nós estamos esperançosos que, amanhã, durante a sessão do Supremo Tribunal Federal, eles cumpram o papel, que, na verdade, é nosso", disse Marinho.
O julgamento de terça
O plenário do STF se reúne em sessão extraordinária para julgar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Os ministros vão decidir se o material justifica a abertura de apuração contra Moraes. Segundo o G1, interlocutores estimam placar apertado, de 4 a 3, a favor da abertura de algum tipo de investigação.
Moraes falou publicamente sobre o caso pela primeira vez nesta segunda, segundo o G1. Em documento enviado ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, negou qualquer irregularidade, disse nunca ter favorecido Vorcaro ou o Banco Master e classificou a investigação determinada pelo ministro André Mendonça como "de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal".
A terça-feira decide as duas frentes. No STF, a sessão das 10h define se Moraes passa à condição de investigado. No Senado, se Alcolumbre não pautar o impeachment, a oposição promete travar a agenda em plena campanha presidencial de 2026.