O deputado federal Aécio Neves (PSDB) anunciou nesta sexta-feira (28) que será candidato ao Senado por Minas Gerais na chapa de Alexandre Kalil (PDT), que disputa o governo do estado. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa na sede do PSDB, em Belo Horizonte, ao lado de correligionários, segundo o jornal O Tempo. A vaga só abriu porque o PDT retirou a candidatura própria que tinha à Casa.
Na quarta-feira (26), Marcelo Heringer (PDT), irmão do líder do partido em Minas, deputado Mário Heringer, desistiu de disputar o Senado. Na quinta (27), foi a vez de Gustavo Galassi (PSDB) se retirar da corrida. Os dois haviam marcado 1% cada um na última pesquisa Quaest, informa o Estado de Minas. Com as duas saídas, Aécio será o único candidato ao Senado da Federação PSDB-Cidadania na chapa de Kalil. Minas Gerais elege este ano duas de suas três cadeiras no Senado.
O movimento foi articulado pelos próprios partidos. Na quarta-feira, a Federação PSDB-Cidadania e o PDT publicaram nota defendendo a entrada de Aécio na disputa. O texto, assinado por Mário Heringer e pelo deputado Paulo Abi-Ackel, presidente do PSDB mineiro, citava pedidos de prefeitos, vereadores e deputados e terminava com um apelo:
"Aécio, escute esse chamado. Minas precisa de você no Senado."
Aécio havia dito em 4 de agosto que não seria candidato a nada e que se dedicaria à presidência nacional do PSDB. Nesta sexta, ele justificou a mudança de rota. "Volto ao jogo, volto à disputa eleitoral, por responsabilidade para com Minas Gerais e por ter a consciência de que posso, sim, ajudar Minas a enfrentar e superar suas gravíssimas dificuldades. Que o povo diga o que acha dessa decisão", afirmou, segundo o Estado de Minas. Se eleito, ele disse que pretende formar uma "Bancada da Resistência" no Senado para reunir os estados endividados e pressionar pela renegociação do Propag, o programa federal de recuperação fiscal.
A aliança marca uma reviravolta na trajetória de Kalil. Em 2022, o ex-prefeito de Belo Horizonte disputou o governo ao lado do presidente Lula (PT). Neste ano, ele recusou nova composição com os petistas e fechou coligação com o PSDB. Há duas semanas, em entrevista ao UOL, Kalil reconheceu o interesse eleitoral no acordo: "Se a gente não tiver senador, nós perderemos tempo de televisão", disse. Nesta sexta, Aécio negou contradição na parceria e citou Tancredo Neves: "Se estivemos distantes no passado, nada impede que estejamos juntos hoje".
A troca é permitida porque a legislação eleitoral admite a substituição de candidatos por desistência até 20 dias antes do pleito. Segundo o Estado de Minas, o prazo final é 14 de setembro. A eleição está marcada para 4 de outubro.