arrow_backVoltar
PoliticsFederal PoliceCorruptionstfinfluence-peddling

PF aponta atuação de Cezinha de Madureira junto a Nunes Marques em dois processos do STF

bookmark_borderSalvar

Mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal) mostram que o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) dizia ter acesso direto ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), e que faria pedidos em processos sob relatoria do magistrado. Os diálogos constam da decisão do ministro Flávio Dino que autorizou buscas contra o parlamentar nesta segunda-feira (14). Segundo o Painel, da Folha de S.Paulo, a PF atribui ao deputado atuação junto a Nunes Marques em dois processos na Corte, com honorários de R$ 1 milhão citados na decisão.

Os dois processos

Um dos casos envolve Denis de Souza Macedo, ex-secretário de Educação de Belford Roxo (RJ), preso em 2025 em operação que apurou desvios de R$ 112 milhões do Fundeb e do PNAE, segundo a CNN Brasil. O contrato previa R$ 1 milhão em honorários e outros R$ 2 milhões em caso de sucesso, definido como "a concessão da liberdade do CONTRATANTE". O outro tratava da tentativa da então prefeita de Beberibe (CE), Michele Cariello de Sá Queiroz Rocha, de contestar investigação do Ministério Público do Ceará, com pagamento de R$ 500 mil condicionado ao julgamento da reclamação no STF.

Em conversa citada pela investigação, a servidora da Câmara Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL), pergunta: "Estará com min kassio as 16?". Cezinha responde que o ministro marcou conversa por vídeo às 16h. "Eu havia pedido a ele para me atender hoje cedo, ele não conseguiu me atender, marcou para falar comigo por vídeo às 16:00. Ministro Kassio. Entendeu? Aí vou pedir a ele", escreveu. Em 5 de agosto de 2025, o deputado enviou a Mariângela uma imagem de visualização única e escreveu: "Já falei". Ela respondeu: "Cezinha e tem o do Rio". Segundo a decisão, a mensagem provavelmente se referia ao caso de Macedo. O parlamentar é investigado por suspeita de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Nunes Marques não é investigado

Na leitura do ministro, os mensagens mostram que o deputado prometia mais do que o encaminhamento de peças processuais.

"As expressões 'vou pedir a ele', 'eu preciso pedir expressamente' e a identificação nominal do interlocutor ('Ministro Kassio') evidenciam, em juízo de cognição sumária, que o parlamentar não se limitava a encaminhar peças: comprometia-se a formular pedido pessoal e direto ao julgador, em favor de partes representadas por advogadas a ele ligadas por vínculo conjugal e por interesse econômico", escreveu o ministro.

Segundo o relatório da PF, Mariângela captava as causas e elaborava memoriais; a advogada Valéria Rodrigues Linhares, mulher do deputado, redigia e assinava os contratos; e Cezinha mantinha o "suposto contato pessoal e direto com Ministros de Tribunais Superiores". Para a PF, as duas advogadas formaram parceria para "obter decisões favoráveis em processos judiciais em trâmite no STF, contando com o auxílio de Cezinha de Madureira".

Nunes Marques e o ministro André Mendonça não são alvo da investigação, informa o Poder360. As reportagens da CNN Brasil e do Poder360 procuraram os gabinetes dos dois ministros e não obtiveram resposta até a publicação. O inquérito apura ainda suposta venda de influência com menções ao advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vaga no STF; a AGU afirmou que o apoio do deputado à indicação "não implicou qualquer ingerência, participação ou interferência". Dino também avocou investigação que apreendeu R$ 510 mil em espécie com um parente de Cezinha no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O inquérito segue sob o comando do ministro, e a PF analisa o material apreendido nas buscas desta segunda.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar