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PF cumpre 49 mandados contra Mario Frias e produtora de 'Dark Horse'

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MRPor Marina Rocha•12 de setembro de 2026•Fontes: BBC News Brasil, Agência Brasil

A Polícia Federal cumpriu na quinta-feira (10) 49 mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Operação Make Up apura desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares repassadas a organizações da sociedade civil. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridos em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal.

A autorização partiu do ministro Flávio Dino, relator do inquérito que apura supostos desvios de emendas parlamentares. Segundo a PF, o dinheiro público teria chegado às entidades por meio de termos de fomento. Frias é roteirista e produtor-executivo do filme. Segundo a BBC News Brasil, ele é acusado de ter repassado R$ 2 milhões a Gama, que comanda um instituto de projetos sociais e, ao mesmo tempo, a produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse.

O que apura a PF

As investigações apontam uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. Na versão da PF, os valores foram direcionados a empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços contratados, com movimentação financeira na casa de centenas de milhões de reais. "As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendido até julho deste ano", diz a corporação em nota. São investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Entre os endereços buscados estão duas entidades ligadas a Gama, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). Dino citou risco concreto de ocultação ou destruição de provas e impôs medidas cautelares: os investigados ficam proibidos de viajar ao exterior e de manter contato entre si, e tiveram os passaportes recolhidos. Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), segundo o documento, apontaram problemas desde a escolha do ICB para receber os recursos. O ministro escreveu:

"Os elementos já produzidos revelam a existência de sofisticada estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre entidades, empresas e pessoas físicas vinculadas ao núcleo investigado, havendo, inclusive, notícias da utilização de empresas sediadas no exterior, como é o caso da Go Up Entertainment LLC."

Reações e caso paralelo

Frias respondeu em vídeo publicado nas redes sociais na noite de quinta. Chamou a operação de "cortina de fumaça" em período eleitoral e disse que a emenda investigada financiou um projeto esportivo e de letramento digital para crianças, com notas e documentos que comprovam a licitude do gasto. "Levaram celular, documentos, computador. Ninguém foi preso. É claro, porque não existe mandado de prisão contra mim nem contra ninguém", afirmou. O deputado disse também que a defesa não consegue acessar o inquérito. Em maio, ele havia negado ter destinado emendas ao filme e classificou a tese como "absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória". A Agência Brasil procurou a assessoria de Frias e não recebeu resposta até a publicação; a reportagem também tenta contato com Gama.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, comentou a operação em transmissão ao vivo no YouTube. Acusou Dino de agir politicamente para prejudicá-lo nas eleições e garantiu que "ali foi tudo redondinho, investimento privado num filme privado". O financiamento do longa também é alvo de um inquérito separado no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura se houve irregularidade no repasse de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro ao filme, a pedido de Flávio. O caso veio à tona em maio, quando o site The Intercept publicou áudios de uma conversa de novembro do ano passado entre o senador e Vorcaro. Flávio nega ter combinado qualquer vantagem indevida e afirma que os recursos do filme eram integralmente privados. Os dois inquéritos seguem abertos e ninguém foi preso até agora.

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