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PF: instituto da produtora de 'Dark Horse' pagou R$ 300 mil a entidade em loja de roupas

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MRPor Marina Rocha•11 de setembro de 2026•Fontes: BBC News Brasil, G1, Agência Brasil

A Polícia Federal aponta que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela produtora de "Dark Horse" Karina Ferreira da Gama, pagou R$ 300 mil a uma entidade que funcionava dentro de uma loja de roupas em Guarulhos, na Grande São Paulo. O dinheiro faz parte dos R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP) recebidos pelo instituto. Segundo o G1, a PF aponta suspeita também em um repasse de R$ 645 mil feito pelo parlamentar à produtora do filme.

Os detalhes constam da investigação da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10). Frias é roteirista e produtor-executivo de "Dark Horse", filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro interpretado por Jim Caviezel. Com parte das emendas, o ICB contratou o Instituto Super Poder Educacional, que opera com o nome Super Leitores, para executar o "Projeto Jovens Empreendedores": um kit pedagógico digital, uma plataforma e licenças de uso por 12 meses, orçados em R$ 300 mil.

Sinais de conluio apontados pela PF

Investigadores constataram que uma loja de roupas funciona no endereço fiscal declarado como sede do Super Leitores. A responsável pela entidade, Pamella Cristiane Dias, afirmou que "utilizava uma sala no estabelecimento" e que depois passou a operar em regime domiciliar. Para a PF, a situação compromete a capacidade da empresa de executar o serviço contratado. Em nota técnica, a corporação registra "evidências de conluio" entre as empresas que disputaram o contrato. Duas ofereceram R$ 200 mil e uma, R$ 230 mil, valores inferiores aos R$ 300 mil cobrados pelo Super Leitores, e três concorrentes tinham os mesmos números de telefone e o mesmo contador registrados nos CNPJs. A PF afirma ainda que "a empresa contratada [Super Leitores] possui ligação com o grupo empresarial identificado nesta apuração". Metadados analisados pela Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que a nota de pagamento foi emitida minutos antes de o ICB criar o orçamento enviado à disputa. O instituto de Karina justificou a escolha pela "ampliação do escopo do serviço", com 24 videoaulas autorais.

O site do projeto só foi criado em março de 2026, 11 meses depois da emissão da nota de pagamento. As dez videoaulas publicadas acumularam sete visualizações, segundo o relatório da PF.

"Números que se afiguram incompatíveis com a capacitação de 250 multiplicadores e o atendimento de 2.250 estudantes", afirma a PF.

Pamella foi ouvida pela CGU e negou ser responsável pela plataforma. "Entretanto, ela consta como titular do registro do domínio vinculado à plataforma", respondeu a PF. O perfil dela no Instagram a apresenta como coordenadora editorial da HD Cultural, uma das empresas que disputaram o contrato. O G1 disse que aguarda o posicionamento dela.

Dino restringe Frias; deputado fala em "cortina de fumaça"

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. O ministro Flávio Dino, relator do caso, citou risco concreto de ocultação ou destruição de provas, proibiu Frias e os demais investigados de saírem do país e de manterem contato entre si e determinou o recolhimento dos passaportes.

"Os elementos já produzidos revelam a existência de sofisticada estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre entidades, empresas e pessoas físicas vinculadas ao núcleo investigado, havendo, inclusive, notícias da utilização de empresas sediadas no exterior, como é o caso da Go Up Entertainment LLC", escreveu Dino.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Frias chamou a operação de "cortina de fumaça". Ele negou irregularidades, disse que vai colaborar com as investigações e entregar todos os documentos necessários e afirmou acreditar que o caso será arquivado. Em maio, já havia classificado como "absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória" a tese de que destinou emendas ao filme. A PF apura peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Levantamentos financeiros citados pela BBC News Brasil apontam movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas do esquema. Em paralelo, o ministro André Mendonça, também do STF, apura o repasse de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro ao filme, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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