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PF suspeita que Vorcaro tentou influenciar voto de Toffoli em precatórios

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MRPor Marina Rocha•11 de setembro de 2026•Fontes: Poder360, Revista piauí, Revista Oeste

A Polícia Federal suspeita que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, tenha atuado para influenciar o voto do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), em um julgamento sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. A suspeita consta de relatório da corporação obtido pela revista piauí e detalhado nesta sexta-feira (11) pelo Poder360 e pela Revista Oeste.

O caso envolvia a destilaria Alcídia, do grupo Atvos, que cobrava da União indenização por prejuízos sofridos na década de 1980. A decisão podia afetar uma carteira de mais de R$ 10 bilhões em precatórios registrada no balanço do Master. Segundo o relatório, Toffoli tinha histórico de votos favoráveis às usinas nesse tipo de ação. Dias antes do julgamento da Alcídia, porém, votou a favor da União em processo semelhante da Raízen.

As mensagens

Em conversas extraídas do celular de Vorcaro, o então diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, perguntou: "Vamos nos movimentar?". Vorcaro respondeu que acompanhava o caso "mais do que imagina" e escreveu: "Toffoli virou o voto" e "tô tratando aqui".

Kruschewsky se ofereceu para ajudar a retirar o processo da pauta. Para a PF, o diálogo indica que o diretor "aparenta ter acesso ao STF" para tentar interferir no andamento do caso. O julgamento acabou adiado depois de pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. Quando foi retomado, Toffoli votou a favor da Alcídia, de volta à posição que historicamente adotava. A tese da usina venceu por 3 votos a 2. Um operador do banco avisou Vorcaro do resultado, e o banqueiro respondeu com um emoji de aprovação.

Negação e ressalvas

A PF afirma que as mensagens trocadas antes do julgamento têm "especial relevância", mas ressalva que os elementos reunidos ainda não permitem conclusões definitivas e que o episódio "demanda aprofundamento analítico". O gabinete de Toffoli negou qualquer "alteração de voto" e disse que o ministro manteve sua posição no caso da Raízen. O relatório compara os dois julgamentos e registra que, no da Alcídia, Toffoli voltou a votar contra a União.

O mesmo documento aponta que Vorcaro direcionou ao menos R$ 35 milhões ao fundo Arleen, que tinha participação no resort Tayayá, empreendimento ligado à família de Toffoli. A PF levantou a suspeita de que o ministro pudesse ser o beneficiário final do fundo. Toffoli nega ter recebido valores do banqueiro. A apuração segue em curso dentro do caso Master, e a corporação afirma que o tema ainda será aprofundado.

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