A Procuradoria-Geral da República (PGR) reforçou, neste sábado (12), o pedido de que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham acesso integral aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro antes do julgamento marcado para terça-feira (15). A nova manifestação foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin, e é assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
No documento, Gonet reitera posição apresentada na véspera e defende que os ministros conheçam o material antes de formar convicção sobre o caso. Também assinam o texto os subprocuradores-gerais da República Antônio Edílio Magalhães Teixeira e André de Carvalho Ramos e o vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand Filho, que fez o primeiro pedido de acesso total aos dados do Master, segundo o G1.
"Da mesma forma, parece-nos relevante, sobretudo e especialmente dadas as peculiaridades da causa, que todos ministros tenham conhecimento prévio da integralidade dos dados necessários para a formação de juízo sobre o tema posto em debate", escreveu Gonet.
A PGR soma-se a três ministros que se manifestaram na sexta-feira (11) pelo acesso integral: Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. A disputa chega à véspera da sessão em que o plenário analisará relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.
Pressão sobre o relator
O relator do caso, ministro André Mendonça, informou a Fachin que o aparelho, um iPhone 17 Pro apreendido pela PF, está guardado nos depósitos da própria polícia, para preservar a cadeia de custódia da prova. Ele declarou possuir apenas uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, enviada pela PF em março de 2026, que permanece intacta e lacrada.
Zanin contestou a justificativa e sustentou que o lacre da cópia não impede o compartilhamento com os demais julgadores, já que a própria defesa de Vorcaro teve acesso à integralidade do material. Moraes reforçou o pedido. "Não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento", declarou. Gilmar Mendes, decano do STF, endossou Zanin e pediu a Fachin que, caso Mendonça não disponibilize os arquivos, a Presidência requisite "com urgência" à PF o envio das cópias direto aos gabinetes, pois o "acesso assimétrico" compromete a colegialidade da Corte, segundo a BBC News Brasil.
O julgamento de terça
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e é investigado por suspeita de fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões no Banco Master, conforme a BBC. A crise na Corte se abriu com a divulgação de relatórios da PF: em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo de documento com indícios de que Vorcaro teria pedido conselhos a Moraes; dois dias depois, Moraes liberou relatórios sobre supostas condutas irregulares do colega. Na quarta-feira (9), Fachin tirou de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News e marcou a sessão plenária de terça. Caberá à Presidência decidir, até lá, se atende à PGR e determina o envio da íntegra dos dados a todos os gabinetes.