O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, repassou R$ 91,6 milhões aos seus candidatos ao Senado desde o início da campanha. O valor é quase o dobro dos R$ 48,2 milhões distribuídos pelo PT. Os números são de um levantamento da Folha de S.Paulo publicado na quarta-feira (16), feito a partir das prestações de contas das legendas à Justiça Eleitoral.
O dinheiro do PL chegou a 30 candidatos em 24 unidades federativas. Segundo a Folha, é a sigla com mais beneficiados por repasses da direção nacional na disputa do Senado e também a de maior capilaridade. O PT dividiu recursos entre 18 candidatos, em 15 estados mais o Distrito Federal. Nove dos 15 candidatos que mais receberam dinheiro de direções nacionais são do PL. A concentração está no Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais reúnem nove desses 15 nomes.
A maior fatia individual dos repasses nacionais é de Simone Tebet (PSB), que disputa uma das duas vagas de São Paulo, com R$ 6,5 milhões. Na sequência vem André do Prado (PL), candidato pelo mesmo estado, com R$ 6 milhões. No Fundo Eleitoral, o dinheiro público que financia as campanhas, o PL dispõe da maior fatia: R$ 881,7 milhões, cerca de 17,8% do total. O PT ficou com a segunda maior parcela, de R$ 615,4 milhões.
Por que o Senado
Nas eleições de 4 de outubro, 54 das 81 cadeiras do Senado serão renovadas, o maior número desde 2018. Cada estado e o Distrito Federal elegem dois senadores, com mandatos de oito anos. São 315 candidatos, dos quais 32 tentam a reeleição. O PL lançou 33 nomes à Casa; o PT, 19, segundo o Poder360.
Lula (PT) e o candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro, querem ao menos 34 aliados no Senado, segundo o Poder360. Para o PT, isso exige eleger 27 senadores; para o PL, 17. A Folha liga a ofensiva financeira do partido aos ataques de Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal. No entorno de Lula, segundo o portal, prevalece o entendimento de que um Senado de maioria de direita aumenta a chance de abertura de um pedido de impeachment contra um ministro do STF e encarece a aprovação das pautas do governo. A rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF expôs a fragilidade da base do Planalto no Congresso.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já declarou que a Casa "não é órgão de correção do STF" e que abrir um processo de impeachment contra um ministro da Corte seria criar "mais um" problema para o Brasil. Nunca um ministro do Supremo sofreu impeachment no país.
Depois da votação, as campanhas ainda têm obrigações com a Justiça Eleitoral. A prestação final de contas deve ser entregue até 30 dias após a eleição. Candidatos eleitos que não prestarem contas não podem ser diplomados enquanto estiverem omissos, conforme regra citada pelo g1.