Os principais candidatos à Presidência já somam mais de R$ 10 milhões em doações de pessoas físicas. Os valores foram declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até terça-feira (22) e compilados pelo g1. O reparto do dinheiro varia de campanha para campanha.
Flávio Bolsonaro (PL) tem a maior arrecadação individual entre os presidenciáveis. Segundo o levantamento, os valores declarados ao TSE são estes:
- Flávio Bolsonaro (PL): R$ 2,9 milhões
- Ronaldo Caiado (PSD): R$ 2,5 milhões
- Renan Santos (Missão): R$ 2,2 milhões
- Lula (PT): R$ 1,4 milhão
- Augusto Cury (Avante): R$ 562 mil
- Romeu Zema (Novo): R$ 300 mil
De acordo com o g1, os dados correspondem aos lançamentos de receitas já registrados e podem ser atualizados conforme novas doações cheguem à Justiça Eleitoral.
O mesmo doador em campanhas rivais
A maior doação recebida tanto por Flávio Bolsonaro quanto por Lula é de R$ 500 mil e saiu do mesmo empresário: Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) citados pelo g1, a empresa, sediada em Passo Fundo (RS), é a maior produtora de biodiesel do país.
No caso de Flávio Bolsonaro, o apoio veio principalmente de empresários e produtores rurais. A família Verdi, dona do grupo Rodobens, enviou R$ 300 mil. O CEO e o diretor de Novos Negócios da fabricante de jeans Vicunha Têxtil, Marco Antônio Branquinho Junior e Marcel Yoshimi Imaizumi, somaram R$ 225 mil.
As doações registradas por Lula incluem pessoas próximas ao governo e prestações de serviços. O cantor gospel e pastor Kleber Lucas declarou R$ 30 mil pela gravação do áudio do jingle e do clipe da campanha. Aparecem também o coordenador Marco Aurélio de Carvalho e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, além de acadêmicos, como o professor da Fundação Getulio Vargas Rabih Nasser e a doutoranda da USP Mayra Cristina da Luz Pádua Guimarães. Essas contribuições vão de R$ 15 mil a R$ 50 mil.
A maior doação individual da disputa
Ronaldo Caiado registrou a maior doação de uma pessoa física a um presidenciável: R$ 2,3 milhões, do jurista e empresário Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, dono de um cartório de registro de imóveis no Distrito Federal. O ex-governador de Goiás também recebeu do coordenador Aldo Rebelo e do ex-deputado federal e ex-ministro Roberto Brant, que atuou na elaboração do plano de governo.
Renan Santos concentra a arrecadação em vaquinhas online, que somam R$ 2 milhões. Fora delas, recebeu R$ 50 mil dos filhos do ex-presidente do Banco Safra José Olympio Pereira e de Danilo Julio Gatto, presidente da Cooperativa Agrícola de Unaí (MG). Augusto Cury é o principal doador de si mesmo, com mais de R$ 100 mil, seguido do empresário Jangiê Diniz e de Wilson de Matos Silva, fundador e reitor de uma universidade em que o candidato foi sócio. Zema recebeu R$ 100 mil dos irmãos Hélio Seibel e Salo Davi Seibel, donos do antigo Grupo Ligna, e R$ 200 mil de Renato Ribeiro Machado, conselheiro e acionista da U&M Mineração e Construção.
Regras e prazo final
Márcio Nogueira, presidente da OAB de Rondônia e especialista em Direito Eleitoral, explica que candidatos e partidos podem arrecadar até o dia da eleição. Depois disso, a captação só é permitida para quitar despesas já realizadas e ainda não pagas. Doações em dinheiro ficam limitadas a 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior. Bens e serviços podem ser doados até R$ 40 mil por pessoa; acima desse valor, vale o teto de 10%.
A legislação exige que os bens pertençam ao doador e que os serviços sejam prestados por ele mesmo, com valores compatíveis com os preços de mercado. As campanhas têm até 4 de outubro, data do primeiro turno, para captar recursos. A partir daí, só podem arrecadar para pagar contas já contraídas, e os números no TSE seguem sendo atualizados à medida que novos lançamentos são registrados.