Um projeto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para facilitar licenças ambientais de resorts e grandes empreendimentos turísticos em Angra dos Reis (RJ) beneficiaria diretamente negócios do advogado Willer Tomaz. Tomaz é amigo pessoal do candidato à Presidência e alvo da Polícia Federal no inquérito que apura fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A apuração é da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, publicada na segunda-feira (7).
Segundo a Folha, Tomaz tem três propriedades em Angra dos Reis registradas em nome de duas empresas suas, a Friponor e a WT Administração de Imóveis. Duas ficam na Ilha Comprida e uma na Ilha do José André. Em 2025, o advogado consultou o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão ambiental do Rio de Janeiro, para saber qual percentual de um dos terrenos poderia ser usado em operação turística, de acordo com documento obtido pelo jornal.
Obras e a mansão disputada com Richarlison
Imagens gravadas em 8 de julho de 2025 e obtidas pela reportagem mostram obras em um segundo imóvel, uma mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões que foi centro de uma disputa judicial com o jogador de futebol Richarlison. Há um segundo andar em construção e quartos separados da edificação principal, traço característico de empreendimentos turísticos. O antigo proprietário, Antônio Marcos da Silva, que vendeu o imóvel ao jogador, afirmou à Folha que Tomaz e Flávio "se tratavam como sócios" durante uma visita ao local.
A assessoria do candidato nega que tenha existido sociedade, participação empresarial ou qualquer negócio comum entre os dois. Segundo a Folha, não respondeu às perguntas específicas sobre a proposta de facilitação das licenças ambientais. Em nota, Tomaz também nega vínculo entre a proposta e seus projetos. Disse que não participou da formulação da ideia, não foi consultado e não manteve tratativas com o candidato sobre o assunto, e classificou a relação entre os dois fatos como uma "coincidência temática" transformada em insinuação de favorecimento sem base factual.
A operação da PF e a campanha
Tomaz é amigo de longa data de Flávio Bolsonaro, a quem costuma acompanhar em agendas e viagens privadas, e também é próximo do senador Weverton Rocha (PDT-MA), segundo o Correio Braziliense. Em 4 de agosto, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do advogado, em uma fase da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios do INSS e suposta lavagem de dinheiro. Foram 18 mandados expedidos pelo STF no Distrito Federal e no Maranhão. Segundo o Diário do Centro do Mundo, um relatório da PF registrou movimentações atípicas de R$ 45,5 milhões atribuídas a Tomaz entre maio e novembro de 2021, sem que a corporação tenha estabelecido até agora ligação direta com o esquema de descontos. A defesa afirma que o advogado não integra o núcleo investigado e que a diligência está relacionada a uma aeronave dele usada por Weverton Rocha em uma viagem.
Em ato de campanha em Angra dos Reis em 29 de agosto, Flávio defendeu a revisão dos planos diretores municipais, em conjunto com as prefeituras, para que obras de "condomínios, grandes empreendimentos e resorts" avancem "de maneira rápida". Ele disse que questões ambientais travam o desenvolvimento da região e comparou o potencial turístico local ao de Cancún e da Indonésia. O inquérito da PF segue em curso no STF, e a defesa de Tomaz diz que o advogado está à disposição das autoridades. A revisão das licenças permanece como compromisso de campanha para o pleito de outubro.