A terceira pesquisa Quaest para a Presidência encomendada neste ano pela TV Globo e pelo jornal O Globo deve ser divulgada na segunda-feira (7), feriado nacional da Independência. As entrevistas começaram no dia 3 e terminam neste domingo (6), com 2.004 participantes. Segundo o Valor Econômico, o campo coincide com o pico da repercussão da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e permitirá medir o efeito do embate entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A cronologia da crise atravessa exatamente os dias de campo, segundo o jornal. Na terça (1), Mendonça retirou o sigilo de uma petição que expôs trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, Moraes e pessoas ligadas ao ministro e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e pediu que a PGR se manifestasse sobre eventuais ilícitos. Na quinta (3), Moraes acusou Mendonça, dentro do inquérito das fake news, de crime de responsabilidade, improbidade administrativa, abuso de autoridade e violação do princípio da imparcialidade. Na sexta (4), o presidente do STF, Edson Fachin, avocou a apuração do caso e deu cinco dias para os envolvidos prestarem explicações.
Empate técnico é o ponto de partida
A rodada anterior, divulgada na quarta (2), com campo de 30 de agosto a 1º de setembro e margem de erro de dois pontos, dava a Lula 37% das intenções de voto no primeiro turno, no cenário estimulado sem Pablo Marçal, contra 29% de Flávio Bolsonaro. O escritor Augusto Cury (Avante) subiu de 2% para 10%. No eventual segundo turno, empate técnico: 42% a 41% para Lula, que tinha três pontos de vantagem numérica em meados de agosto. Os dois também lideram a rejeição: 55% para o senador e 53% para o presidente.
A nova rodada testará a consistência da ascensão de Cury. "Nesse segmento, o candidato do Avante já alcança 24% e fica numericamente à frente de Lula", afirma Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV, sobre os eleitores independentes. O voto dele é menos consolidado que o dos líderes: 48% dos eleitores do escritor admitem mudar de candidato, contra 20% dos de Lula e 25% dos de Flávio. O levantamento simula segundos turnos de Lula contra Flávio Bolsonaro, Cury, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
Onde a disputa está mais apertada
Os recortes mais acirrados do segundo turno foram detalhados pelo G1. Entre os eleitores de 35 a 59 anos, Lula tem 42% contra 41%. Entre os independentes, 32% a 29%. Na região Centro-Oeste/Norte, Flávio soma 48% contra 38%, dentro da margem de erro de cinco pontos do segmento. Desde a pesquisa de 14 de agosto, o senador passou à frente entre os homens (47% a 39%) e abriu 13 pontos entre os mais jovens, de 16 a 34 anos (48% a 35%). As bases seguem distantes: Lula vence por 62% a 28% no Nordeste; Flávio, por 53% a 30% entre os evangélicos.
O que vem a seguir: o resultado sai na segunda (7). Fachin espera as explicações sobre a crise em cinco dias. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o TSE ainda decidirá se Pablo Marçal (PRTB), inelegível, pode concorrer.