A Raízen concluiu nesta terça-feira (1º) a venda de suas operações na Argentina por US$ 1,42 bilhão, cerca de R$ 7,3 bilhões na cotação atual. As compradoras são a Latam Downstream Holdings e a Silver Projects, sociedades detidas pelo grupo suíço de energia Mercuria, segundo a Folha de S.Paulo. A venda acontece enquanto a companhia, controlada pela Shell e pela Cosan, do empresário Rubens Ometto, cumpre uma recuperação extrajudicial de dívidas.
O pagamento foi dividido entre uma parcela líquida paga em caixa e a assunção das dívidas da Raízen Argentina pelos novos controladores. O fechamento ocorreu depois do cumprimento das condições previstas no acordo, incluindo autorizações regulatórias, informa o Times Brasil. O valor final, porém, ainda pode mudar. Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou:
"O preço está sujeito aos ajustes pós-fechamento usuais em operações similares, a serem apurados com base nas demonstrações financeiras de fechamento, sendo que o valor líquido efetivamente recebido pela Companhia será determinado após a conclusão de tais ajustes."
Reestruturação de R$ 65 bilhões
A operação foi anunciada ao mercado em 4 de junho, um dia depois de credores começarem a avaliar a proposta final do acordo extrajudicial de reestruturação de dívidas de cerca de R$ 65 bilhões, o maior desse tipo na história do Brasil, segundo a Folha. O plano foi aprovado em 30 de julho, com o apoio de 81,6% dos credores.
A dívida veio de um ciclo acelerado de expansão e de investimentos em novas tecnologias, com apostas frustradas, como a entrada no segmento de varejo, de acordo com a Folha. Os recursos da venda vão reforçar a estrutura de capital e sustentar o plano de reestruturação financeira, informa o Daily Journal.
No fim da cadeia, a transação muda o dono da operação argentina, e a Raízen segue com seus ativos no Brasil. O desinvestimento faz parte de uma estratégia de rever o portfólio e focar em mercados prioritários, segundo o Daily Journal. Para fornecedores de cana e credores, os dólares reforçam o caixa que responde pelo acordo de R$ 65 bilhões. Para o consumidor brasileiro, nada muda de imediato: os ativos vendidos estão no país vizinho, e o efeito direto da troca de controle fica na Argentina.