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Recuperação extrajudicial da Braskem evita crise imediata e põe Petrobras no foco

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ANPor André Nakamura•26 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo

A Braskem entrou na segunda-feira (24) com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de US$ 11 bilhões, o segundo maior processo do tipo na história do Brasil, segundo reportagem da Folha de S.Paulo com informações da Bloomberg. O acordo, assinado por cerca de 39% dos credores, garante mais 90 dias de negociação e afasta, por ora, um pedido de recuperação judicial da petroquímica.

As cobranças contra a empresa já estavam suspensas desde junho, quando a Braskem obteve uma medida cautelar após o impasse nas discussões sobre a reestruturação da dívida. O prazo de 60 dias concedido na ocasião venceu na segunda, o que levou a companhia a formalizar a recuperação extrajudicial, mecanismo em que um acordo negociado com parte dos credores é homologado na Justiça e pode ser estendido aos demais.

Petrobras no centro das negociações

Apesar do alívio imediato, credores e acionistas controladores, o fundo IG4 Capital Group, especializado em ativos problemáticos, e a Petrobras, seguem distantes em pontos centrais. Os documentos apresentados à Justiça preveem o compromisso dos principais acionistas, ou de terceiros por eles indicados, de aportar capital novo na companhia, mas valor, estrutura e cronograma da operação ainda não foram definidos.

É nesse ponto que a Petrobras passa ao centro do processo. Segundo pessoas a par das discussões ouvidas pela Bloomberg, a estatal intensificou sua participação nas negociações nas últimas semanas, sob forte pressão dos credores, e a extensão e os termos de seu apoio estão entre as principais questões em aberto. O plano da Braskem prevê a injeção de novo capital acionário após um chamado "período de alívio".

"Estamos basicamente na mesma situação: sem acordo entre a empresa e os detentores de títulos", disse Roger Horn, estrategista sênior de mercados emergentes da Mariva Capital Markets. "Estamos sob a proteção de um prazo de 90 dias de uma recuperação extrajudicial, em vez de uma medida cautelar extraordinária."

Saída do Ibovespa

Os efeitos da crise já chegaram ao mercado de ações. A Braskem deixou na terça-feira (25) o Ibovespa e outros índices da B3, como IBrX, IBrX-50, Small Caps e ITAG, após passar a figurar sob a classificação de recuperação extrajudicial, segundo o InfoMoney. A exclusão obriga fundos que replicam os índices a vender os papéis, o que tende a reduzir a demanda automática pela ação.

Do total da dívida, cerca de US$ 7 bilhões estão concentrados junto a detentores de títulos no exterior, os chamados bondholders, grupo considerado um dos principais desafios da reestruturação, de acordo com o InfoMoney. A negociação com esses credores internacionais deve ocupar boa parte dos 90 dias de trégua obtidos pela petroquímica.

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