O candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, defendeu nesta quarta-feira (26) que o Brasil desenvolva armas nucleares e propôs destinar R$ 6 bilhões à construção de presídios. As declarações foram dadas em sabatina da TV Globo conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Até sábado (29), a emissora entrevista os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto, em um especial exibido pela primeira vez depois do Jornal Nacional.
Bomba atômica
Perguntado sobre declarações anteriores em que defendeu uma bomba atômica para o país, Renan Santos manteve a posição. "Se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter soberania, a soberania sobre o seu próprio território, soberania militar, e vai ter que discutir ter bombas atômicas", disse, segundo o G1. O candidato afirmou que não precisa de estudo científico para sustentar a tese. "As nações mais poderosas do mundo dispõem de armas nucleares e elas se fazem respeitadas por causa disso", declarou. Ele defendeu ainda a saída do Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e citou a Coreia do Norte, único país que deixou o acordo. "Por mais que seja um regime que eu considero opressivo e que eu não respeite, pelo menos ele é respeitado internacionalmente. É uma forma de defender a sua própria soberania", afirmou.
"Se a gente quiser ser o eterno Zé Carioca no mundo [...], aceitamos nossa posição submissa. Agora, se a gente quiser ser uma nação séria e respeitada nos próximos 30 anos, nós precisamos ter armas nucleares."
Renan reconheceu que o Brasil não tem condições de produzir armas nucleares nos próximos dez anos e falou em fabricação "no médio e longo prazo", segundo a Folha de S.Paulo. Ele negou que a proposta abalaria a relação com os Estados Unidos e disse que caberia a Washington sentar para negociar. A medida esbarra na legislação brasileira: o país é signatário do Tratado de Não Proliferação desde 1998, e a Constituição determina que toda atividade nuclear em território nacional "somente será admitida para fins pacíficos", lembra a Folha.
Presídios e crime organizado
Na segurança pública, o candidato propôs investir R$ 6 bilhões na construção de presídios e defendeu um "regime de exceção" nas favelas, segundo o G1. Ele reafirmou a promessa de retomar, em até um ano de governo, todos os territórios dominados por facções criminosas. "Hoje quase 40 milhões de brasileiros vivem direta ou indiretamente sob a influência do crime", disse. Renan também quer mudar a Lei de Execução Penal para tratar o integrante de facção como um "ente anômalo". Questionado sobre o fracasso da intervenção federal no Rio de Janeiro, que custou R$ 1,2 bilhão e terminou com o crime organizado mais forte, respondeu que o país vive uma "guerra declarada unilateralmente" e defendeu uma "declaração de guerra contra o crime organizado", informou a Folha. O modelo de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, é citado por ele como inspiração.
Na sabatina, Renan voltou a dizer que descumpriria decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerasse ilegais. "Qualquer cidadão, diante de uma decisão ilegal, pode não cumprir. Na verdade, ele tem um dever de não cumprir. Decisão ilegal não se cumpre", afirmou. Ele negou, porém, que fosse desrespeitar todas as determinações da Corte, segundo o InfoMoney. Na economia, prometeu uma nova reforma da Previdência. "Eu não sou estelionatário eleitoral como outros candidatos que vão vir aqui e falar que não precisa. Vamos precisar fazer outra reforma da Previdência", disse.
A série de sabatinas da Globo continua nesta quinta-feira (27), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio Bolsonaro (PL) é o entrevistado de sexta (28), e Augusto Cury (Avante), o de sábado (29). Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) já passaram pela sabatina na segunda e na terça.