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Sem espaço na cota chinesa, exportação de carne bovina cai em agosto

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ANPor André Nakamura•7 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, Agência Brasil, ABIEC

As exportações brasileiras de carne bovina caíram com força em agosto, depois que a cota de compras da China ficou próxima do limite e a União Europeia passou a suspender a entrada de proteína animal brasileira. Segundo a coluna Vaivém das Commodities, do jornal Folha de S.Paulo, os embarques recuaram para 225 mil toneladas em agosto, 23% menos que no mesmo mês de 2025. Já os dados da balança comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), divulgados em 4 de setembro, apontam queda de 27,1% em volume, com receita de US$ 1,2 bilhão, 19,7% abaixo da de um ano antes.

Para a China, o problema é a cota. O país limita a 1,106 milhão de toneladas por ano o volume de carne bovina que entra sem uma taxa adicional de 55%, e o Ministério do Comércio chinês comunicou ao Brasil, em 10 de agosto, que a utilização já havia chegado a 90%. "Os exportadores tendem a reduzir os volumes embarcados quando há risco maior de incidência da tarifa adicional", disse à Agência Brasil o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão. O resultado apareceu nos números do mês: apenas 16,1 mil toneladas seguiram para o país asiático em agosto, contra um recorde de 158 mil toneladas em junho, segundo a Folha.

Compras antecipadas e mercado europeu fechado

O recuo de agosto espelha um primeiro semestre de compras antecipadas. Segundo a Folha, junho teve volume recorde de 317 mil toneladas, porque os compradores queriam receber a carne antes de a cota chinesa sem a taxa extra se esgotar e antes das restrições europeias às importações de proteína animal brasileira, anunciadas para setembro. A União Europeia começou a suspender a entrada de produtos de origem animal do Brasil em 3 de setembro, em seus 27 países-membros. A medida atinge carne bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos, e pode afetar até US$ 2 bilhões por ano em exportações brasileiras, segundo a Agência Brasil. Somente a carne bovina respondeu por cerca de US$ 1,7 bilhão nas vendas ao bloco em 2025.

A justificativa europeia são os controles sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, considerados insuficientes pelo bloco. A decisão não decorre de contaminação ou irregularidade sanitária identificada em lotes brasileiros. Para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o mercado europeu compra cortes de maior valor agregado e não há substituição automática, porque cada destino exige produtos específicos. A entidade informa que 100% de suas associadas habilitadas ao mercado europeu já aderiram a um protocolo privado de rastreabilidade, e a Agência Brasil estima que a retomada da carne bovina pode demorar: o rastreamento exige acompanhar o animal durante toda a vida, e um bovino leva de 24 a 36 meses até o abate.

Acumulado do ano segue em alta

Apesar da queda de agosto, 2026 segue positivo para o setor. De janeiro a agosto, as exportações de carne resfriada e congelada cresceram 4,7% em volume e 22,3% em valor na comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Mdic. Em agosto, a receita caiu menos que o volume, o que indica preço médio por tonelada acima do de um ano antes.

Para frigoríficos e pecuaristas, o cenário de setembro é de menos compradores ao mesmo tempo: a cota chinesa está próxima do limite e o mercado europeu, fechado. Para o consumidor, a Agência Brasil destaca que o bloqueio europeu não é uma decisão sanitária, ou seja, não houve avaliação de que a carne brasileira esteja imprópria para consumo.

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