Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avaliam que ele só decidirá sobre o encaminhamento dos pedidos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) depois das eleições. A avaliação é de reportagem de Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira (7), no auge da crise envolvendo a corte.
Uma pessoa próxima a Alcolumbre afirmou ao jornal que ele não vai ceder à pressão do bolsonarismo pela destituição de ministros antes de saber quem será o próximo presidente da República e quem serão os 54 novos senadores. Só a partir disso decidirá se abre um processo de impeachment e contra quem.
No Senado, a chance de um pedido de afastamento prosperar passou a ser tratada como algo possível até por parlamentares que antes rechaçavam a hipótese, segundo a Folha. O cálculo de Alcolumbre passa pela própria disputa: a eleição para a presidência da Casa ocorre tradicionalmente no primeiro dia de funcionamento do Congresso Nacional, em fevereiro, e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes é visto por aliados como a única moeda de troca capaz de atrair o apoio de senadores bolsonaristas à sua reeleição.
Alcolumbre é amigo de Moraes e sempre se posicionou contra o afastamento. Políticos próximos dizem que essa posição não mudou. Parte do grupo reconhece, porém, que, dependendo do perfil dos senadores que emergirem das urnas, será difícil impedir a abertura de um processo.
Pressão da oposição
A oposição cobra andamento. Em coletiva de imprensa no dia 2 de setembro, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), disse que o grupo, que reúne 32 senadores, vai cobrar Alcolumbre diariamente. "A nós, senadores que já temos a maioria e o apoio para o impeachment, nos cabe não só pedir a renúncia, mas iniciar o processo de impeachment", declarou.
Os pedidos ganharam força após a divulgação de informações sobre a relação de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que alimentou a crise no STF. "Cada dia mais vem sendo revelado. Muitos não acreditavam quando a gente dizia que havia a captura de poderes por parte do ministro do STF", disse Portinho. Ele descartou, por ora, uma obstrução geral das votações e citou a possibilidade de um novo presidente do Senado, escolhido pela maioria que sair das urnas, conduzir o processo a partir do ano que vem.
Segundo a Folha, o impeachment de Moraes se tornou uma das principais investidas dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a condenação dele por tentativa de golpe. O primeiro turno da eleição está marcado para 4 de outubro e renova 54 das 81 cadeiras do Senado. O novo Congresso se instala em fevereiro, quando os senadores elegem o presidente da Casa. Até lá, a decisão sobre abrir ou não um processo é de Alcolumbre.