No Parque Grajaú, na zona sul da capital paulista, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) parou nesta quarta-feira (9), durante visita a um Armazém Solidário, para celebrar o resultado de São Paulo no Pisa, o exame internacional da OCDE aplicado a estudantes de 15 anos. "A gente foi para a 2ª posição no país", afirmou. Os dados por estado, divulgados na véspera, colocaram São Paulo em 2º lugar entre as 27 unidades da Federação, atrás apenas do Paraná.
As notas somam o desempenho de alunos de escolas públicas e particulares. São Paulo alcançou 434 pontos em Leitura, 443 em Ciências e 404 em Matemática. A OCDE divulgou os dados por estado brasileiro, separação que nem todos os países têm. Se São Paulo fosse um país, segundo levantamento do Estadão, ficaria acima do Catar em Leitura, atrás da Ucrânia em Matemática e empatado com Chile e Israel em Ciências, dentro da margem de erro.
O que os números dizem
- Média geral de 427 pontos em São Paulo, contra 436 do Paraná, líder nas três áreas. Santa Catarina vem em 3º.
- Brasil: 408 em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências, na 52ª, 71ª e 67ª posições entre cerca de 90 países e economias, segundo o O Globo.
- Em Leitura, sua melhor área, São Paulo ficaria na 39ª posição mundial, próximo de Luxemburgo e Eslovênia.
- Cerca de 2 mil estudantes paulistas fizeram a prova em 2025. No país, foram 30.140 alunos, de 1.053 escolas.
Tarcísio definiu a prova como "reconhecida internacionalmente" e capaz de medir "o raciocínio lógico, o conhecimento aplicado a situações da vida". Ao Estadão, o secretário estadual da Educação, Renato Feder, celebrou as notas e disse que a rede paulista cobra conteúdos que preparam o jovem para o futuro.
"São Paulo teve uma evolução importante no Pisa, tanto em ciências como em leitura, também em matemática. A gente foi para a 2ª posição no país. Nós vamos trabalhar para melhorar esses resultados cada vez mais, mas realmente foi algo que nos motivou bastante."
Uma subida que atravessa governos
A escalada de São Paulo não começou nesta gestão. O estado era o 11º em 2006, subiu ao 7º em 2009 e em 2012, chegou ao 6º em 2015 e agora alcançou o 2º lugar, uma trajetória que passa por governos de partidos diferentes. Como o Pisa avalia jovens de 15 anos, os estudantes testados em 2025 começaram a vida escolar antes da posse de Tarcísio, em janeiro de 2023, e o resultado não pode ser creditado só ao governo atual, como lembra o Poder360. O dado chega em plena campanha eleitoral: Tarcísio disputa a reeleição contra Fernando Haddad (PT), ministro da Educação entre 2005 e 2012.
Os dados por estado também mostram o abismo entre regiões. Estados mais pobres do Norte e do Nordeste se saem invariavelmente pior que os do Sul e do Sudeste, o que, para Ernesto Faria, diretor do Iede, escancara a necessidade de mais equidade. "É razoável esperar associação importante entre os resultados e o nível socioeconômico dos estudantes", afirmou Gabriel Correa, diretor de políticas públicas do Todos pela Educação, ao Estadão. Aos 15 anos, completou ele, o desempenho reflete o acúmulo de oportunidades ao longo de toda a trajetória escolar. Os rankings estaduais têm margem de erro maior, e notas muito próximas são tratadas como empate.
O resultado sai em um ciclo difícil para o mundo: a edição de 2025 do Pisa, aplicado a cada três anos pela OCDE, reuniu cerca de 760 mil estudantes de 91 países e economias e registrou queda histórica de desempenho. O Brasil melhorou desde 2006, mas segue abaixo da média da OCDE nas três áreas. No país, 72,4% dos avaliados estudavam em escolas estaduais e 84,7% cursavam a 1ª ou a 2ª série do ensino médio. A Ucrânia, usada como parâmetro em Matemática, participou com apenas 18 de suas 27 regiões, conforme o O Globo.