Ministros do Supremo Tribunal Federal passaram a afirmar nesta sexta-feira (11) que levarão ao debate da sessão de 15 de setembro acusações contra colegas, caso o tribunal julgue apenas o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes. A informação é da coluna de Mônica Bergamo, no Folha de S.Paulo.
Segundo a coluna, os ministros dizem que, se o pedido contra Moraes for julgado sem que o mesmo ocorra com André Mendonça, "não sobrará 'pedra sobre pedra'" no debate. Eles afirmam que diversos magistrados da corte já foram alvos de denúncias, inclusive de envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Para eles, se for para passar o STF a limpo, será oportuno discutir no mesmo dia os "podres" de todos os demais presentes à sessão.
Pressão sobre a pauta de Fachin
O alerta dos bastidores chega quatro dias antes da sessão. Na quarta (9), o presidente do STF, Edson Fachin, designou o dia 15 para o julgamento do pedido de investigação contra Moraes, que trata das mensagens trocadas com Vorcaro. Na mesma decisão, suspendeu as trocas de comando na Polícia Federal e retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, informa o Poder360.
Nesta sexta, Moraes reagiu. Em ofício a Fachin, pediu que o pedido de investigação contra Mendonça por "abuso de autoridade" fosse pautado para a mesma data, sob alegação de "fatos conexos". Para o ministro, o colega é "diretamente interessado no julgamento" e excluiu 180 documentos do levantamento de sigilo dos autos, relatam o Poder360 e o G1.
Origem da crise
A crise começou em 1º de setembro, quando Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal com conversas entre Vorcaro e Moraes. A apuração identificou contratos milionários do grupo Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Em 3 de setembro, Moraes apresentou pedido para investigar Mendonça por "abuso de autoridade".
O próximo passo cabe a Fachin. Ele decide se inclui o caso de Mendonça na sessão de terça (15). O presidente do STF também deu a Mendonça prazo de 24 horas, contado nesta sexta, para liberar o sigilo de todos os documentos da Pet 15.556, que reúne o núcleo da Operação Compliance Zero.