O ex-presidente Michel Temer disse ter orientado o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a buscar diálogo com o colega André Mendonça para conter a crise entre os dois. A conversa ocorreu por telefone na segunda-feira (7), feriado, antes da decisão de Mendonça que afastou a cúpula da Polícia Federal nesta terça-feira (8). Temer avalia que o afastamento tornou uma trégua mais difícil.
Temer indicou Moraes ao STF em 2017, quando ocupava a Presidência. Ele confirmou a conversa à CNN Brasil e disse que falou "muito rapidamente" com o ministro. O ex-presidente afirmou não ter conversado com Mendonça. "Não falei com o Mendonça. Falei muito rapidamente com o Alexandre por telefone. Disse um pouco que a solução ideal seria essa, mas foi simplesmente isso", afirmou.
Trégua mais difícil
Nesta terça, Mendonça afastou preventivamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. "Pois é, ficou complicado. Eu reconheço que complicou bastante. Até domingo, por exemplo, não havia essa decisão mais rigorosa, digamos assim. Então, acho que agora ficou um pouco difícil", disse Temer.
Interlocutores do ex-presidente relataram à Folha de S.Paulo que ele disse a Moraes que a saída do impasse passaria por algum tipo de acomodação entre os dois ministros. Na avaliação de Temer, a decisão de Mendonça eleva o conflito a um novo patamar, ao envolver a cúpula da PF e, por tabela, o governo Lula (PT).
"Então, às vezes, como uma disputa entre setores, ainda que seja entre o Alexandre e o Mendonça, o ideal seria dialogarem lá, todos eles, e chegarem a uma composição, porque qualquer solução litigiosa, digamos assim, que o Supremo venha a dar será péssima para o país."
O precedente de 2021
Não é a primeira vez que Temer atua como ponte em crises envolvendo Moraes. Em setembro de 2021, no auge do embate entre o então presidente Jair Bolsonaro e o ministro, depois que Bolsonaro chamou Moraes de "canalha" no ato do 7 de Setembro, Temer intermediou um telefonema entre os dois e ajudou na redação da "Declaração à Nação", em que o então presidente recuava dos ataques. A trégua durou pouco, segundo a CNN Brasil. Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, relata a Folha, Temer escreveu que os dois ministros são juristas de alta capacidade e que cabe ao STF preservar a unidade do país e a estabilidade das instituições.
A crise ganhou força após Mendonça retirar o sigilo de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que citam a relação do empresário com Moraes. O presidente do STF, Edson Fachin, deu cinco dias para os dois ministros se explicarem sobre o confronto. O julgamento do afastamento da cúpula da PF no plenário ficou suspenso nesta terça, após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, com maioria formada pela manutenção do afastamento, segundo o g1. Temer ainda aposta em uma saída: "Eu ainda espero, dando um palpite, que eles encontrem uma solução de harmonia interna. Vai ficar muito mal para o Supremo e para o país", afirmou.