Senta aí que a conversa de hoje envolve carta, encomenda e um pouco de paciência: os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado em todo o país nesta sexta-feira (11). A decisão saiu das assembleias realizadas na noite de quinta (10), com adesão de sindicatos de todos os estados. Segundo a Findect (Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), a paralisação começou às 22h de quinta.
O ponto que travou a negociação é o plano de saúde. Segundo a Findect, mais uma reunião na quinta, com mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), terminou sem acordo porque a direção dos Correios insiste em alterar sua condição de mantenedora do benefício. As entidades sindicais dizem que a mudança pode afetar o custeio e a assistência a trabalhadores, aposentados e familiares.
A parte salarial, aliás, havia avançado: em informe publicado no dia 8 de setembro, a federação relata que a proposta da empresa passou a prever reajuste de 100% do INPC por dois anos. O plano de saúde terminou congelando a conversa inteira.
Não aceitaremos que direitos conquistados ao longo de décadas sejam colocados em risco. O plano de saúde é patrimônio da categoria e precisa ser preservado.
A frase é da nota oficial da Findect e dos sindicatos filiados, que resume o clima do seguinte jeito: "os trabalhadores buscaram o acordo. A direção dos Correios escolheu a intransigência. Se a empresa não recua, a categoria também não". Em nota citada pelo g1, a federação acrescentou que a decisão das assembleias chega "depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no TST".
E o que muda para quem usa os Correios? Segundo Tony Sérgio, presidente do Sintect-PB, durante a paralisação apenas os serviços administrativos internos seguem funcionando, pelo menos na Paraíba. O g1 informa que ainda não há detalhes sobre o funcionamento em outras regiões, e que procurou a empresa para comentar, sem retorno até a publicação.
Greve em meio à crise financeira
A parada acontece com a empresa em má fase: são 15 trimestres consecutivos de prejuízo, e o primeiro semestre deste ano fechou no vermelho em R$ 5,6 bilhões, segundo o g1. O resultado do segundo trimestre foi menor que o dos dois trimestres anteriores, sinal de uma recuperação modesta. Para segurar as contas, os Correios esperam fechar até 15 de setembro um novo empréstimo, de R$ 7 bilhões, com um consórcio formado por Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul, no rastro dos R$ 12 bilhões recebidos no fim do ano passado.
Onde acompanhar: a Findect publica boletins da greve em seu site e nas redes sociais, e o g1 segue atualizando a cobertura. Quem espera encomenda pode seguir o rastreamento pelo site e aplicativo dos Correios; com a greve em curso, prepare o emocional, porque aquele "objeto em trânsito" deve demorar um pouco mais.