O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou por unanimidade, na manhã desta quinta-feira (27), o envio de tropas federais para reforçar a segurança no primeiro turno das eleições de 2026 no Ceará, marcado para 4 de outubro. O pedido partiu do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) e contempla 66 municípios, entre eles a capital, Fortaleza. A decisão foi noticiada pelo g1.
O relator do processo foi o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal, que votou pelo deferimento. Acompanharam o relator os ministros Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha.
O reforço foi pedido em meio a relatos de interferência de facções criminosas no processo eleitoral cearense. Segundo o g1, membros do Comando Vermelho cobraram R$ 200 mil de candidatos a deputado para permitir campanha em Forquilha, na região norte do estado. No início deste mês, três vereadores de Sobral foram presos em uma operação que investiga a atuação da facção carioca nas eleições municipais de 2024 e no pleito deste ano.
Pedido partiu de juízes eleitorais
O TRE-CE aprovou o pedido por unanimidade no início de julho, após indicação da Comissão Permanente de Segurança da Corte. Segundo o Tribunal Regional, o colegiado recebeu manifestações de juízes eleitorais de mais de 60 municípios que defenderam o reforço para garantir que os eleitores possam votar com segurança. Consultadas no processo, as autoridades estaduais de segurança pública afirmaram não haver necessidade de força federal, mas não se opuseram à cooperação institucional entre forças estaduais e federais. O Ministério Público Eleitoral opinou pelo envio do pedido ao TSE.
O Ceará não foi o único estado atendido. Segundo o Valor Econômico e a Gazeta do Povo, o TSE autorizou nesta quinta o emprego de forças federais nas eleições de cinco estados. No Acre, o pedido citou o avanço de facções criminosas, informou a Gazeta.
A requisição de forças federais para garantir a ordem e a regularidade do pleito é competência privativa do TSE. O próximo passo é a Corte encaminhar a solicitação à Presidência da República, que tem a atribuição de autorizar o emprego das tropas. Sem esse aval, o efetivo federal não atua no dia da votação, em 4 de outubro.