arrow_backVoltar
Economybusinessinternationaltradeeurope

UE suspende a partir de quinta (3) importação de carne, ovos e mel do Brasil

bookmark_borderSalvar
ANPor André Nakamura•31 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, CartaCapital

A Comissão Europeia anunciou nesta segunda-feira (31) que a União Europeia suspenderá, a partir de quinta-feira (3), as importações de carne bovina e de frango do Brasil. A medida também alcança ovos e mel. Segundo o bloco, o Brasil não apresentou garantias suficientes do cumprimento das normas europeias sobre o uso de antibióticos na pecuária.

A decisão formaliza um processo aberto em maio, quando Bruxelas retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar ao bloco por não comprovar o cumprimento das regras sobre antimicrobianos. O ato foi assinado e publicado em junho pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen. Segundo relatos da agência AFP, a pressão veio do setor agropecuário europeu depois da assinatura, em janeiro, do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

As regras em disputa

As normas europeias proíbem o uso de antibióticos para estimular o crescimento dos animais e restringem antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em humanos. A política integra o combate do bloco à resistência de microrganismos a medicamentos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, citada pela AFP, superbactérias resistentes a antimicrobianos são diretamente responsáveis por mais de 1 milhão de mortes por ano e contribuem para quase 5 milhões adicionais.

"O Brasil é um parceiro importante da UE e estamos trabalhando em estreita colaboração para garantir que cumpra esses requisitos. Assim que esse cumprimento for comprovado, as exportações para a UE poderão ser retomadas", afirmou uma porta-voz da Comissão Europeia.

O tamanho do bloqueio

Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina da UE, com mais de 92 mil toneladas de produtos bovinos e faturamento acima de 713 milhões de euros, cerca de R$ 4,29 bilhões, segundo dados citados pela AFP. É esse fluxo que para na quinta-feira, junto com frango, ovos e mel.

Bruxelas não deu prazo para a retomada. No caso de aves e mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída na sexta-feira (4); se o resultado for positivo e os países membros concordarem, as exportações de frango podem ser reautorizadas nas próximas semanas. Para a carne bovina, o prazo tende a ser mais longo. "Em razão da duração dos ciclos de produção de acordo com as espécies animais envolvidas, a data a partir da qual o Brasil poderá estar em condições de certificar sua conformidade com as exigências da UE varia de acordo com os setores", explicou a Comissão.

Procurado pela AFP, o governo brasileiro não comentou de imediato. Em maio, quando o país foi retirado da lista europeia, havia informado que tomaria "rapidamente" todas as medidas necessárias para reverter a exclusão.

No campo, a leitura é de barreira comercial. "É um promotor de crescimento. Ajuda a digerir o pasto para que o boi ganhe mais peso, não é para tratar uma doença", disse à AFP o pecuarista Carlos Roberto dos Santos, de Barretos (SP), sobre o antibiótico questionado por Bruxelas. "Os custos de produção são muito mais altos lá. Um pecuarista europeu não tem como competir comigo", afirmou. Para o produtor brasileiro, a suspensão fecha o mercado até que a conformidade seja comprovada; para o consumidor europeu, retira das prateleiras o segundo maior fornecedor de carne bovina do bloco.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar