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USA Rare Earth garante US$ 1,55 bilhão e acelera compra da brasileira Serra Verde

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ANPor André Nakamura•24 de agosto de 2026•Fontes: CNN Brasil

A americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (24) que garantiu os recursos necessários para concluir a compra da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil. O avanço veio após o governo dos Estados Unidos elevar de US$ 500 milhões para US$ 750 milhões o aporte em um veículo criado para comprar a produção da mineradora, um reforço de US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) que eliminou uma das condições para o fechamento do negócio. Os acionistas da companhia votam a operação na sexta-feira (28), e a expectativa da empresa é concluir a transação logo em seguida, caso as demais condições sejam cumpridas.

Ao todo, a estrutura financeira montada para a operação soma US$ 1,55 bilhão (R$ 7,7 bilhões). Além dos US$ 750 milhões do Departamento de Guerra dos EUA (o Pentágono, antigo Departamento de Defesa), o pacote inclui uma linha de crédito bancária de até US$ 500 milhões e o compromisso do governo americano de comprar pelo menos US$ 300 milhões em terras raras ao longo de cinco anos. Os recursos ficarão em um veículo criado especificamente para adquirir a produção da Serra Verde, identificado nos documentos regulatórios como US SIIE e capitalizado pelo governo dos EUA e por investidores privados. Segundo a CNN Brasil, o montante não representa um aporte direto na mineradora brasileira.

A USA Rare Earth anunciou em 20 de abril o acordo para adquirir 100% da Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões, com US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de aproximadamente 126,8 milhões de ações da companhia americana. A Serra Verde também assinou um contrato de 15 anos para vender ao veículo toda a produção da primeira fase de quatro terras raras magnéticas: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. De acordo com a USA Rare Earth, o acordo prevê cláusulas de compra obrigatória e inclui os primeiros pisos de preço do setor para as terras raras pesadas disprósio e térbio.

A mina Pela Ema

A Serra Verde opera a mina Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás, onde extrai terras raras de um depósito de argila iônica. A unidade iniciou a produção comercial em 2024, e mais de US$ 1 bilhão já foi investido no projeto, segundo o G1. Para a USA Rare Earth, após a conclusão da compra, Pela Ema será a única mina de terras raras de argila iônica em produção comercial fora da Ásia capaz de fornecer os quatro principais elementos usados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.

O reforço do governo Trump reflete o interesse de Washington em garantir uma fonte de terras raras fora da China, que domina as etapas de processamento e refino desses minerais. Os quatro elementos produzidos pela Serra Verde são usados em ímãs presentes em caças, submarinos, mísseis e drones, além de veículos elétricos e equipamentos eletrônicos. Em nota, Mike Cadenazzi, secretário assistente de Guerra para Política de Base Industrial dos EUA, afirmou que o investimento busca assegurar ao país e a aliados o acesso a materiais críticos.

"Esse esforço garante que nossa indústria de defesa tenha acesso estável e duradouro aos materiais críticos necessários para fabricar sistemas de armas de próxima geração e manter nossa vantagem tecnológica", disse Cadenazzi.

O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 25% do total global, segundo o Ministério de Minas e Energia. Com a aquisição, a USA Rare Earth pretende integrar a produção goiana às suas operações de processamento e fabricação de materiais e ímãs nos Estados Unidos e no Reino Unido, cobrindo a cadeia que vai da mineração à produção de ímãs.

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